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“Tratando-se de finanças, diversificação é o único almoço grátis” Harry Markowitz

 

Como fazer Diversificação na sua Carteira de Investimentos


Você pode escutar nosso audio aqui:

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O mercado é volátil, vulnerável e imprevisível. Ainda mais nesse momento de crise passageira do coronavírus. Nesse sentido, quanto mais você diversificar seus investimentos, maior será a chance de girar recursos e reduzir os riscos de prejuízos econômicos. Por essas e outras, não vale a pena depositar todas as suas fichas em apenas uma opção.

É praticamente uma unanimidade no mercado que o ciclo de corte de juros chegou ao fim, mas alguns economistas apontam que, agora, eles vão subir mais rapidamente do que se imaginava antes, e isso interfere diretamente nos seus investimentos.

Nosso objetivo é guiá-lo para o que realmente funciona em finanças e investimentos.

Esqueça todas as falsas promessas rápidas de ganhar rios de dinheiro

As lições são simples, mas requerem prática.

Um Erro Comum dos Investidores Iniciantes

A Trader Brasil Escola de Finanças e Negócios teve uma aluna que era atriz e participou de BBB há alguns anos atrás que nos disse:

“Não tem como perder dinheiro na bolsa, é só investir em PETROBRAS, pois o retorno é garantido e o risco é muito baixo“.

Você reparou a quantidade de absurdos em uma única frase:

  1. Investir em um único ativo (e que é uma ação).
  2. Retorno garantido? Estamos falando de renda variável certo?
  3. Risco muito baixo? Novamente: Estamos falando de renda variável certo?E de uma empresa estatal certo?

Alguns investidores simplesmente ignoram a incerteza dos mercados…Ter alocações somente em país emergente é um perfil de altíssimo risco, não tem nada de conversador.

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O que aconteceu com a Petrobras em fevereiro de 2021 deixa evidente que o episódio é só mais um dos inúmeros casos do porquê não podemos e não devemos ignorar os benefícios da diversificação da carteira, incluindo investimentos no exterior.

Além disso, o momento atual, com crise econômica, pandemia e divergências políticas entre os poderes, também pede diversificação. Isso sem falar de outras situações bem delicadas que tivemos que enfrentar em 2020, tais como:

  1. A guerra comercial do petróleo, que afetou muito os mercados emergentes;
  2. A desvalorização do real, uma das moedas que mais perdeu valor durante a crise;
  3. Dólar forte – o famoso flight to quality. Em momentos de crise, os investidores tendem a ir atrás de ativos considerados de baixo risco, como é o caso dos treasuries norte-americanos;
  4. Saída de mais de R$ 300 bilhões de capital de investidores estrangeiros;
  5. Alta correlação das gestoras locais em setores como o de commodities ou financeiras;
  6. Taxa Selic em mínima histórica (2% ao ano), que traz desafios para a rentabilidade dos investimentos.

Um dos argumentos mais comuns que ouço a favor do viés doméstico é “não invisto no exterior porque é arriscado”. 

Quantas pessoas você já ouviu dizendo isso?

Mas pense comigo: você alocaria seu capital em países como Bangladesh ou República Dominicana? Esses dois países, por exemplo, possuem o mesmo rating que o Brasil, enquanto Jamaica e Senegal possuem uma classificação de risco ainda melhor do que a do nosso país. Acredita nisso?

Repare na figura acima : O ibovespa em 5 anos teve rentabilidade de 15,9% em media com volatilidade de 26,9% enquanto o indice de ações globais teve 21,5% de rentabilidade media com 18,3% de volatilidade.

Portanto, se eu pudesse escolher somente um conselho para te dar sobre investimentos,  seria “evite o viés doméstico’.

Conhecido também como home bias, o termo se refere à preferência desproporcional em investir apenas no país onde a pessoa vive – e isso acontece com investidores no mundo todo.

A explicação é muito simples: buscamos investir em empresas que estão presentes no nosso dia a dia.

Não é um “privilégio” dos investidores brasileiros: os norte-americanos, os australianos e os europeus, em geral, fazem a mesma coisa; no entanto, em uma proporção muito menor do que a nossa.

Canadá Estados Unidos Reino Unido Austrália Brasil
Alocação Doméstica

65%

72% 50% 74% 99%

Por Que Diversificar?

Você certamente já ouviu falar na seguinte frase:

“Não Coloque Todos os Ovos na Mesma Cesta…”

…Afinal, se a cesta cair, todos os ovos se quebrarão.

Entretanto, se você espalhar os ovos por várias cestas o que ocorre?

A perda de um único ovo não terá um impacto tão grande, já que você ainda conta com os ovos nas demais cestas.

Falando a linguagem de finanças:

Se um ativo despencar ou até mesmo falir, sua perda será limitada a alocação naquele ativo.

Logo, se você investe 2% do total da carteira em uma ação e ela perde -50% do seu valor, você teria uma perda somente de -1% [2% * -50%] no total da carteira.

Parece razoável?

Lembre-se: Você deve diversificar porque nós simplesmente não podemos adivinhar o futuro.

Diversificação é uma certeza, previsões não.
A diversificação torna o processo de investimento mais dependente da alocação e execução do portfólio, a invés da natureza aleatória da previsão.

Ignorar este conceito é tomar riscos que poderiam ser facilmente evitados via uma boa diversificação.

Como aplicar a diversificação nos investimentos?

Simples…invista em vários ativos e de classes diferentes.

Isso significa, por exemplo, escolher mais de um tipo de título público… Mais de um CDB de bancos diferentes , LCI de emissores diferentes.Títulos prefixados no Tesouro Direto são arriscados demais agora, na opinião dos analistas. Se a Selic subir mais do que o esperado, o investidor corre o risco de ficar preso em um investimento que paga menos.

Mais de 5 fundos imobiliários de tipos e gestores diferentes…

Mais de 20 ações.. de vários setores e países diferentes , ou seja incluir BDRs na carteira (recibos de empresas estrangerias negociadas no Brasil)

Mais de 5 fundos de investimentos de tipos (seja  inflação, crédito privado, debêntures incentivadas , multimercados, internacional) e de gestores diferentes , inclusive internacionais

Aqui incluem os ETFs (Exchanged Traded Funds) que seguem um determinado índice, voce sabia que tem ETF de ouro , prata, China, EUA, Europa etc…?

O próprio ETF do IBovespa , o BOVA11,  contempla mais de 65 ações em um único fundo.

Através da diversificação, você estará minimizando as incertezas de seus investimentos.

O interessante da diversificação é que um ativo pode compensar a perda de outro ativo, evitando perdas maiores na carteira.

Em determinados meses, as ações do Brasil podem cair, mas podem também serem compensadas pelo retorno do dólar e das Bdrs .

Logo, o retorno negativo de um ativo pode ser compensado por outros ativos da mesma classe ou de classes diferentes.

Na prática, como devo diversificar minha carteira?

Primeiramente, avalie o o seu perfil de investidor e objetivos de investimento.

Verifique o capital inicial que você dispõe e o quanto irá investir mensalmente.

Depois, escolha as classes de investimentos e os ativos que irá investir.

Investir fora do Brasil não implica necessariamente em ter exposição cambial, como ao Dólar por exemplo.

Há fundos disponíveis nas corretoras, aqui no Brasil, tanto na versão em Dólar, que tem a exposição cambial, quanto em Reais, que oferece proteção contra a variação cambial.

Ou seja, nos fundos em Reais, investidores não precisam se preocupar com as grandes oscilações do Dólar, pois os retornos já estarão protegidos contra apreciações ou depreciações do câmbio.

Diversificação Global funciona

Mesmo investindo em diferentes fundos locais, ainda assim vai existir uma camada comum que será inerente ao risco Brasil. Ou seja, sempre vai existir uma certa correlação entre os ativos domésticos.

Investir em estratégias internacionais pode melhorar a relação risco x retorno dos portfólios, já que os preços dos ativos no exterior são impulsionados por múltiplos aspectos.

A baixa correlação internacional com os ativos brasileiros pode funcionar como proteção aos eventos de choque – tais como a greve dos caminhoneiros ou diversos eventos políticos que o país enfrentou nos últimos anos.

Em tempos de instabilidade local, se torna *cada vez mais importante diversificarmos nossa carteira com ativos Internacionais*.

As corretoras oferecem aos seus clientes *mais de 110 fundos internacionais*, tanto em reais 🇧🇷, quanto em dólar 🇺🇸 e euro 🇪🇺.

***

Análise Técnica dos Mercados Financeiros

Um pouco mais sobre a Teoria Moderna do Portfólio.

O princípio básico da Teoria é o famoso “não coloque todos os ovos na mesma cesta”.

A teoria basicamente propõe que, em vez de medir o risco, olhando para um investimento de forma individual, você precisa olhar para a forma como todos os investimentos trabalham na carteira em conjunto.

O modelo nos permite encontrar o maior nível possível de retorno que uma carteira pode proporcionar para um certo nível de risco. Ou seja, o investidor ou a investidora vai assumir mais risco apenas se ele ou ela estiver esperando um maior retorno.

Principais conceitos

Antes de tudo, é necessário compreender os principais conceitos que foram utilizados para a elaboração da Teoria Moderna do Portfólio, que são:

Retorno desejado ou esperado: é o quanto a pessoa investidora espera receber de acordo com um dado nível de risco que ela assume. Por exemplo, o retorno esperado ao investir em ações é maior do que o esperado ao investir
em títulos de renda fixa, pois ações são mais arriscadas e historicamente apresentam resultados superiores. O retorno de um portfólio de ativos é calculado como Somatório de Peso do ativo no portfolio vezes o retorno esperado do ativo.

Exemplo:                Ativo A  Ativo B
Retorno esperado   10%      20%

Peso w                      50%      50%

Retorno da carteira seria: 10 % * 50% + 20%*50%= 15%

 

Risco: Markowitz mede essa variável como o desvio-padrão de cada componente da carteira em relação ao seu retorno médio. Assim, ativos mais arriscados são aqueles que apresentam um maior nível de volatilidade, ou seja,
que oscilam mais em relação à média.

O risco do portfólio é calculado usando o risco dos ativos individuais (medidos pelo desvio padrão), os pesos dos ativos no portfólio, e, ou a correlação entre os ativos ou a covariância dos retornos dos ativos.
Para um portfólio de dois ativos, o risco do portfólio, σp, é:

Exemplo:                   Ativo A   Ativo B
Retorno esperado     10%       20%

Peso w                       40%       60%

Desvio padrão             5%        20%

Risco do portfolio = 13,11% que é bem menor que o risco do ativo B.

 

Correlação: conceito estatístico que mede como os ativos se movem de forma conjunta, podendo variar de -1 até 1. Uma correlação próxima a -1 indica que os ativos têm comportamentos opostos: quando um se valoriza, o outro se desvaloriza, e vice-versa. Já uma correlação próxima a 1 indica que se movem conjuntamente. Se o valor for próximo de zero, simplesmente não há uma correlação.

Ao fazer os cálculos de risco e retorno para uma série de carteiras possíveis, e considerando um certo conjunto de ativos, é possível traçar um gráfico, que apresenta o retorno no eixo vertical e o risco (desvio-padrão) no eixo horizontal. O resultado tem o formato de uma linha curva.

Quanto menor for a correlação dos ativos, menor será o risco do portfolio resultante.

Na teoria, se você encontrar dois ativos negativamente correlacionados (correlação = -1), será possível montar um portfólio de alto rendimento com risco zero.

Na prática, entretanto, tal situação é rara. Como o mercado financeiro é interligado, torna-se praticamente impossível encontrar correlações negativas nesse nível. Então, o que se busca é valores aproximados.

O conceito de correlação é fundamental para os investidores, pois é possível utilizá-lo a seu favor para realizar escolhas mais eficientes.

MATRIZ DE CORRELAÇÃO DE ATIVOS DE FEV2021

Exemplo prático 1: 

  • Fundo multimercado: Retorno de 14% com volatilidade de 14%
  • Ibovespa: Retorno de 10% com volatilidade de 22%
  • Correlação entre eles: -0,15

Se um investidor colocasse todo o patrimônio no Ibovespa, teria um retorno de 10% com risco de 22%. Por sua vez, se ele alocasse todo o patrimônio no Nultimercado, teria um retorno de 14% com risco de 14%.

Porém, o que acontece se colocarmos metade do patrimônio do Fundo multimercado e metade no Ibovespa?

A resposta é um retorno de 12% com risco de 12%. Logo, a correlação negativa reduziu o risco do portfólio em, aproximadamente, 35%.

 

Exemplo prático 2: Os 5 melhores fundos do mercado no ano passado deram os seguintes retornos conforme a figura durante meses de menor volatilidade em comparação com um fundo de alta volatilidade:

Repare que uma carteira com 70% dos melhores fundos mais 30% de um fundo alta volatilidade teria o menor risco total resultante. Quanto menor for a correlação dos ativos, menor será o risco do portfolio resultante.Então a referida carteira poderá apresentar um nível de risco mais baixo do que a carteira somente dos 5 fundos com um retorno maior que esta.

 

Neste artigo, você viu que é possível ter portfólio conservador, mesmo investindo em ativos de risco mais significativo. A estratégia é combinar investimentos com correlação negativa para equilibrar sua carteira e reduzir os riscos dela.

O investidor, portanto, não deve subestimar o poder da descorrelação, que é um recurso extremamente poderoso. E, como disse Markowitz, é o único almoço grátis do mercado.

Qualquer dúvida conte conosco. 

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Flávio Lemos
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