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Analistas recomendam priorizar pagamento de dívida. Renda fixa e poupança são opções para investir

Enquanto as esquinas voltam a entoar canções natalinas e as lojas passam a exibir as tradicionais decorações de fim de ano, é possível perder-se em meio ao espírito das festas e deixar levar-se pela empolgação. Tentação que aumenta com a expectativa da primeira parcela do décimo terceiro salário, prevista para ser paga até o dia 30 de novembro. Mas, além de celebração, a virada do ano traz despesas como matrículas escolares, pagamento de impostos e viagens. Por isso, é preciso cautela para gerir o dinheiro extra. Para especialistas, planejamento é fundamental para não começar o ano no vermelho.

— Em primeiro lugar, é preciso priorizar o pagamento das dívidas. Nenhuma aplicação no mercado consegue oferecer um retorno de investimentos tão bom quanto a taxa de juros cobrada por qualquer empréstimo — alertou o planejador financeiro Thiago Nigro.

Aplicar a curto prazo para pagar despesa extra

 Para o consumidor que sabe que as despesas de Natal e de início de ano (matrícula escolar, IPVA, IPTU etc.) vão pesar no orçamento, o décimo terceiro pode ir para aplicações de curto prazo, explica Flávio Lemos, especialista em investimento e diretor da Trader Brasil Escola de Finanças & Negócios.

— Para saldar dívidas do ano novo, você pode contar com o bom e velho fundo DI ou, novamente, com títulos do Tesouro Selic, que têm boa liquidez. Assim, é possível sacar o dinheiro em um mês, caso a pessoa queira, e sem pagar IOF. É uma oportunidade — destacou.

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No azul. A advogada Kátia Gondo se preparou para os gastos extras e conseguirá investir parte do décimo terceiro

Para os felizardos que não têm dívidas a quitar e vão conseguir equilibrar as despesas extras, a ideia então é investir. Esse é o caso da advogada Kátia Gondo, assessora executiva em uma imobiliária. Aos 36 anos, ela teve que aprender a organizar as finanças depois de se separar. Mas não parou por aí e começou a investir. No início deste ano, resolveu fazer o maior dos investimentos: abrir seu próprio negócio. Hoje, tem um e-commerce de roupas de crossfit. Mas garante que só pôde pensar em poupar depois que aprendeu a se antecipar aos gastos extras da temporada de fim do ano:

— Fiz questão de juntar um dinheiro para essas despesas de Natal e início de ano que não fosse o meu décimo terceiro. Com isso, meu salário “extra” já tem outros destinos: metade vai para os meus investimentos pessoais, e a outra vai para a minha loja.

Para quem tem um perfil mais arrojado, porém, uma opção são os fundos multimercados ou fundos de ações.

— Esses fundos são destinados a investidores mais diversificados, que consigam aguentar perdas, mas que podem ser bastante rentáveis. O mais importante é conhecimento. Para aqueles que quiserem se informar e estudar, tudo é possível, e o mercado de ações também pode ser uma ótima escolha — conclui Lemos.

Miguel Ribeiro de Oliveira, diretor de pesquisas econômicas da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), concorda. Ele destaca que o ano de 2017 foi muito difícil para os brasileiros, que tiveram que lidar com altas taxas de juros e desemprego e, por isso, se endividaram mais. Uma recomendação do especialista é dividir em três o montante a ser recebido:

— O ideal é pensar primeiro em quitar dívidas, depois em pagar encargos no início do ano e, só então, naquele dinheiro para não passar o Natal em branco. Mais uma vez, esse será o Natal da “lembrancinha” — resume.

Outra orientação importante destacada por Ribeiro pode ser ainda antecipar o pagamento de um financiamento. Segundo ele, poucas pessoas sabem que, caso paguem as parcelas antes do prazo, o banco é obrigado por lei a reduzir os juros e demais acréscimos, proporcionalmente. Mas, nesses casos, é preciso ficar atento para se certificar que o banco ou financeira está fazendo as reduções devidas.

Para os investidores mais conservadores, a caderneta de poupança voltou a ficar atrativa frente aos fundos de renda fixa com a queda da taxa básica de juros Selic, hoje em 7,5% ao ano.

— Com a queda de juros, a poupança fica mais atraente, e hoje é altamente rentável. Para pequenos investidores, com até R$ 120 mil, ela se torna uma opção — destacou Ribeiro, lembrando que, segundo cálculo da Anefac, a tradicional aplicação vai bater todos os fundos com taxa de administração igual ou superior a 2% ao ano em qualquer prazo.

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