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Em “Economia na Política – Parte 1”, falamos das vertentes econômicas adotadas do governo Bolsonaro até o governo Collor.

Falaremos agora das vertentes econômicas que se basearam do governo Sarney até os militares.

“Fiscais do Sarney” (1985-1990)

imagem sarney

Já o governo Sarney teve um caráter heterodoxo de combate à inflação. Tivemos cuidando da economia Francisco Dornelles, Dilson Funaro, Bresser Pereira e Maílson da Nóbrega. No começo de 1986 foi lançado pelo governo o Plano Cruzado.

O Plano dirigido por Dilson Funaro foi o primeiro pacote de medidas após a redemocratização com o objetivo de reduzir a inflação.

Teve como principais medidas: congelamento de preços, introdução de nova moeda (de cruzeiro para cruzado), desindexação da economia (tirar o reajuste automático dos preços, salários e aluguéis de acordo com a inflação).

O plano, porém, não foi acompanhado de outras medidas monetárias ou fiscais, o que controlou a inflação em um primeiro momento, mas que voltou a subir.

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Com o fracasso do plano anterior, lembrando que o governo sofria com a inflação e crises internacionais, foi anunciado o Plano Cruzado II, onde salários foram congelados e tentou-se controlar o déficit fiscal aumentando a receita tributária.

No mesmo momento, houve um problema na balança comercial devido a taxa de câmbio, que estava sobrevalorizada, oficialmente congelada pelo governo.

Esse foi mais um plano fracassado de tentativa de estabilização da economia.

Em junho de 1987 foi apresentado pelo ministro Bresser Pereira o plano que levava seu nome com o objetivo de controlar o déficit público que ainda assombrava o governo. Foram lançadas medidas como: congelamento de preços e salários por três meses e aumento de tributos para financiar os gastos do governo.

O plano teve o fracasso do controle fiscal e o crescente aumento da inflação como resultado.

Já em janeiro de 1989, é lançado o Plano Verão realizado por Maílson da Nóbrega com o objetivo, como todos os outros de controlar a inflação .

Houve um novo congelamento de preços e salários, nova proposta de ajuste fiscal e a criação da moeda cruzado novo.

Da mesma forma que os outros planos, o plano verão não cumpriu o objetivo e teve uma curta duração.

“Durante o meu mandato a história se contorceu, mas a democracia não murchou na minha mão”

-José Sarney

Economia no Governo Militar (1964-1985)

governo militar 2

“Peço ao povo que me esqueça”

– João Baptista de Oliveira Figueiredo

Em 1 de abril de 1964, os militares tomam o poder pondo fim ao governo do presidente João Goulart.

As heranças de uma alta taxa de inflação e um descontrole das contas públicas foram deixadas pelo Plano de Metas de JK.

Entre 1964 e 1967, foi implementado o chamado PAEG (Plano de Ação Integrada do Governo) com objetivo de controlar a inflação. Para isso, foram estabelecidas medidas para reformas tributária, monetária e da política externa.

As principais medidas foram o controle fiscal; restrição de crédito (via taxa de juros); garantias e facilidades ao capital estrangeiro; criação do Conselho Monetário Nacional e do Banco Central.

Com isso, o governo aumentou bastante sua capacidade de arrecadação com a nova estrutura tributária e facilitou a acumulação de poupança pelos agentes e sua canalização para investimentos produtivos através dos novos órgãos e instrumentos do sistema financeiro.

Obs: Importante dizer que boa parte das reformas do PAEG só foram implementadas devido ao regime dada às medidas impopulares.

Em 1967, com a entrada do Presidente Costa e Silva, Antonio Delfim Netto assume o ministério da fazenda. Representando a escola desenvolvimentista, Delfim mudou o rumo da economia, o período de 1967-1973 ficou conhecido como ‘Milagre Econômico’ após grandes taxas de crescimento do PIB, 11% em média.

O objetivo do governo era o crescimento econômico acompanhado da contenção da inflação. Imaginava-se que o que causava inflação era o aumento dos custos de produção das empresas devido o crédito caro e por estarem com capacidade ociosa devido à recessão, assim o próprio crescimento levaria a uma redução da inflação através da redução dos custos das empresas.

A estratégia utilizada pelo governo no período se baseou na retomada de investimento público em infra-estrutura, expansão de crédito ao consumidor, estímulo às exportações entre outros. Assim, com o endividamento externo e o aumento do crédito foi feito o ‘milagre’. O resultado desse período foi o crescimento expressivo do PIB e o grande avanço do endividamento externo.

No final de 1974 foi lançado o II PND (II Plano Nacional de Desenvolvimento) liderado pelo ministro Reis Velloso. O objetivo desse Plano alterar a estrutura produtiva brasileira de modo a resolver o problema da balança comercial, mas até isso ser posto em prática, seria necessário se financiar por meio de empréstimos externos.

Os resultados do plano foram profundas mudanças na estrutura do país, com um crescimento de 35% entre 1974-1979 do setor industrial; aumento da estatização da economia; e o aumento ainda maior da dívida externa.

Em 1980 a conta começa a chegar. Delfim assume novamente o posto da economia com o mesmo discurso de combater inflação com crescimento econômico buscando repetir os tempos de milagre econômico. Com isso, promoveu uma enorme desvalorização do cruzeiro para aumentar as exportações e, assim melhorar a balança comercial.

“A parte mais sensível do corpo humano é o bolso”.

-Delfim Netto

“Se insistirmos na “pureza neoliberal”, que entrega os homens à antropofagia mercadista, um dia as urnas trarão alguns ‘Morales’, que já nos espreitam atrás da esquina.”

-Delfim Netto

Entretanto, isso acarretou em uma aceleração da inflação forçando Delfim a reverter sua política econômica focando nas contas externas, assim promoveu o aumento dos juros internacionais, o que dificultou novas captações de recursos externos e aumentou os encargos da dívida externa inviabilizando a continuidade da estratégia de crescimento com endividamento e fazendo com que o governo começasse a pagar a dívida externa a partir do seu resultado de exercício.

Em 1984 o Brasil voltou a crescer, mas a deterioração da contas públicas e, consequentemente, a inflação não paravam de subir ano a ano.

Podemos concluir que ao longo dos anos existiram inúmeras tentativas de conseguir trazer estabilidade econômica ao Brasil. Apesar dos diferentes meios utilizados pelos governos poucos tiveram algum êxito mostrando a nossa incapacidade de aprender com os erros passados.

Bruno Guerra, CPA-20