A suprema arte da guerra é derrotar seu inimigo sem lutar. Sun Tzu
Olá, caros e destemidos navegantes do mercado financeiro! Sejam bem-vindos ao nosso encontro mensal, onde tentamos decifrar o enigma que é a economia brasileira e, de quebra, fazer nosso rico dinheirinho suado render mais do que a pipoca no cinema.
No dia 25 de junho, nosso trabalho foi mais uma vez reconhecido com dois troféus no Rankia Brasil 2025, evento que reuniu grandes nomes do Mercado Financeiro em prol da divulgação de corretoras, escolas de negócios e finanças e do fortalecimento da Educação Financeira em todos os níveis. Flávio foi o grande vencedor na categoria de “Melhor Divulgador Financeiro”, um reconhecimento de peso conquistado através de votação popular online, superando influenciadores de grande alcance como Thiago Nigro (Primo Rico), e sua escola Trader Brasil foi eleita bicampeã na categoria de “Melhor Escola de Formação para Investidores e Traders”, deixando para trás gigantes do setor como XP Educação e InfoMoney.
O resultado expressivo ressalta a força e a credibilidade da instituição junto ao público investidor, validando sua longa trajetória e a qualidade de seu conteúdo em um dos prêmios mais disputados do setor.
De acordo com o Flávio, “esses prêmios são o reconhecimento pelo trabalho realizado por tanto tempo. Só de Trader Brasil são 24 anos ensinando e formando novos profissionais para o Mercado Financeiro. Enquanto se fala que é preciso juntar para multiplicar, gosto de dizer que só tem duas coisas que se multiplicam por divisão: o bom exemplo – como nossos pais nos deram – e compartilhar o conhecimento.”
Gostariamos de agradecer a todos que nos ajudaram a se eleger e torceram conosco.Veja mais sobre o premio Rankia aqui.
Mas qual a melhor estratégia?” 🤔 A pergunta de milhões que Flávio Lemos respondeu no palco da Rankia.
Um dos pontos altos da palestra foi discutir como avaliar uma estratégia de forma objetiva. E a resposta está em entender a relação entre risco e retorno.
Não basta olhar apenas para a rentabilidade. e sim o retorno que um ativo oferece para cada unidade de risco assumido.
A Síndrome de General Severiano nos Investimentos
Por falar em estratégia, na Copa do Mundo de Clubes vimos o Campeão da Libertadores e Brasileiro, o Botafogo, ganhar do PSG , campeão da Champions League, que foi o equivalente futebolístico do que muitos investidores sentiram ao ver o Ibovespa disparar mais de 15% neste primeiro semestre. Foi uma arrancada espetacular e, para muitos, inesperada. Quem ficou entrincheirado na segurança da renda fixa, com medo de se arriscar, assistiu da arquibancada a essa vitória gloriosa, lamentando não ter escalado umas poucas ações no seu time. Deixar de diversificar e migrar uma parte da carteira para a bolsa foi como ter o ingresso para esse jogo histórico e preferir ficar em casa por medo do time não corresponder.
Por outro lado, a derrota para o Palmeiras no mesmo campeonato é um resultado doloroso, mas dentro de um cenário de rivalidade conhecida e mais previsível. Manter 100% dos recursos na renda fixa é como o técnico que, por medo de tomar um gol do ataque poderoso do adversário, joga com o time todo na defesa, mesmo sabendo que não vai ganhar o jogo. A estratégia evita uma goleada (grandes perdas), mas garante que você não terá a chance de saborear a vitória (grandes lucros). É uma escolha pela previsibilidade da derrota ou do empate, abdicando da possibilidade real de um ganho extraordinário.
No fim das contas, a lição é clara: não mudar a estratégia e ficar apenas na “defesa” da renda fixa pode te proteger de algumas derrotas, mas também te impede de disputar os grandes campeonatos. Você deixa de ganhar a rentabilidade espetacular da bolsa, o equivalente a vencer o PSG, por receio de uma derrota pontual para o Palmeiras. A diversificação é o que permite ao investidor entrar em campo para jogar os dois jogos, sabendo que, na média da temporada, a ousadia de buscar vitórias improváveis é o que o separa dos times que apenas cumprem tabela.
Deixando o futebol de lado, o primeiro semestre de 2025 foi uma verdadeira montanha-russa com looping. Se você sobreviveu para ler este post, parabéns, você já é um vencedor. Tivemos um Ibovespa que resolveu pagar de atleta de alta performance e entregou o melhor resultado para um primeiro semestre desde 2016, com uma alta de fazer inveja a muito marombeiro: 15,44%. Sim, o preço foi alto, e a volatilidade fez mais gente passar mal do que viagem de ônibus em serra, mas chegamos aqui, de volta aos 138 mil pontos, impulsionados por um otimismo quase juvenil com a possível queda da nossa querida (e estratosférica) Selic.
O ano que começou com a cara amarrada de quem acorda na segunda-feira fria, de repente, abriu um sorriso. O exterior, sempre ele, deu uma forcinha. Enquanto a Faria Lima e o Leblon continuam torcendo o nariz para o cenário fiscal e já fazem suas apostilas de bolão para as eleições de 2026, o gringo, com seu distanciamento geográfico e emocional, parece menos preocupado com nossos “redemoinhos” locais. O fluxo de capital estrangeiro, muitas vezes operado por robôs mais frios que coração de ex, tem olhado para os nossos juros reais (Selic menos inflação) e visto uma oportunidade. Para esses fundos quantitativos, barulho político é só mais uma variável na equação, e no momento, a matemática tem jogado a nosso favor.
Mas a grande questão que não quer calar é: e agora, em julho, onde a gente coloca nossas fichas?
Renda Fixa: A Aposta Segura (e ainda muito sexy)
Vamos começar pelo básico, o arroz com feijão que todo investidor precisa ter no prato. Com a Selic ainda nas alturas, ignorar a renda fixa é como ir à praia e não entrar no mar. Simplesmente não faz sentido. Títulos do Tesouro Direto, CDBs que pagam mais de 100% do CDI, LCIs e LCAs -POR ENQUANTO – isentas de imposto de renda continuam sendo o porto seguro para quem busca tranquilidade e um rendimento previsível e robusto.
Enquanto o mercado se descabela com as projeções para a Selic em 2026 e 2029, você pode simplesmente sentar, relaxar e ver seu dinheiro render de forma consistente. É o investimento “paz e amor” em meio ao caos.
No semestre, os títulos de médio e longo prazo foram os que sentiram menos pressão diante do cenário, encerrando o mês numa zona de conforto maior. Esse é justamente o período que o Banco Central leva em consideração na hora de tomar novas decisões monetárias.
Nesse contexto, títulos vinculados à Selic fazem mais sentido para prazos curtos e médios, principalmente para quem quer liquidez e segurança.
O destaque do mês ficou com os títulos prefixados. Entre os vencimentos disponíveis na prateleira do Tesouro Direto atualmente, o papel com prazo para 2032 foi o que registrou maior alta na rentabilidade, em alta de 1,85% no mês;
Ouro: O Manto da Invisibilidade do Investidor
Em um cenário de incertezas globais – e vamos ser sinceros, com as narrativas de Trump ganhando força nos EUA, a instabilidade é o novo normal –, o ouro volta a brilhar como o refúgio clássico. Pense no ouro como a capa da invisibilidade do Harry Potter para a sua carteira. Quando as coisas ficam feias, ele tende a se valorizar. No ano o metal dourado sobe +11,10%
Com a inflação global dando sinais de moderação, mas sem garantias de que não teremos novas surpresas, ter uma parcela do seu patrimônio em ouro pode ser uma estratégia inteligente para proteger seu poder de compra. Não é um investimento para ficar rico da noite para o dia, mas para garantir que você não ficará pobre se o mundo decidir virar de cabeça para baixo.
Bitcoin: A Pimenta (ou Pólvora) do Portfólio
Ah, o Bitcoin. Aquele ativo que seus pais não entendem e seu primo mais novo jura que vai te deixar milionário. O primeiro semestre de 2025 foi interessante para as criptomoedas, com uma recuperação notável após um período de baixa. Para julho, o cenário continua sendo de alta volatilidade.No ano a criptomeda está estável, em -0,13%.
Investir em Bitcoin é como adicionar uma pimenta Naga Morich a um prato (veja mais aqui): uma pitada pode dar um sabor especial e um retorno explosivo, mas exagerar na dose pode estragar tudo e te fazer chorar. A narrativa de que o Bitcoin é um “ouro digital” ganha força em momentos de desconfiança nas moedas tradicionais. Se você tem estômago para fortes emoções e entende que pode perder uma parte (ou tudo) do que investiu, uma pequena alocação pode fazer sentido. É um investimento de altíssimo risco, mas com potencial de retorno igualmente elevado. Trate-o como o bilhete de loteria da sua carteira de investimentos.
E a Bolsa, Meu Caro ?
A bolsa brasileira, como vimos, está em um momento interessante. O ibovespa sobe 15,44% no ano de 2025. Lembra que falamos em nossos outros artigos deste ano? A maré parece favorável, mas não se engane, o mar pode virar a qualquer momento. As decisões de investimento dos “robôs gringos” são rápidas e baseadas em algoritmos. Um sinal negativo lá fora, uma fala mais atravessada de alguma autoridade monetária, e a correnteza pode mudar de direção sem aviso prévio.
A dica de ouro aqui é a diversificação. Não coloque todos os ovos na cesta do Ibovespa. Combine a pimenta da renda variável com a segurança da renda fixa, adicione uma camada de proteção com o ouro e, se você for do tipo aventureiro, um grãozinho de Bitcoin.
Lembre-se sempre, caro leitor: no mercado financeiro, a única certeza é a incerteza. E com o comportamento imprevisível de figuras como Trump no cenário global, novas viradas não são apenas possíveis, são prováveis. Portanto, invista com sabedoria, humor e um olho no peixe e outro no gato .
Até a próxima, e bons investimentos!






