A pimenta é pequena em quantidade e grande em virtude. Platão
Prezado leitor,
Direto das mesas de análise (e com uma pitada daquele nosso otimismo calejado), trago-lhes uma interpretação dos eventos de maio de 2025, conforme noticiado pelas gazetas financeiras. Ao que tudo indica, o mês das noivas (e das mães, não esqueçamos!) também foi generoso com aqueles que apreciam uma carteira com um pouco mais de… digamos, “pimenta”.
Aproveitando a oportunidade, para falar da Naga Morich ou Bhut Jolokia, que é uma pimenta conhecida por sua extrema picância, considerada uma das mais fortes do mundo. Originária de Bangladesh e da região nordeste da Índia, ela atinge facilmente mais de 1 milhão de SHU (Scoville Heat Units) na escala Scoville, que mede o grau de picância das pimentas.
A Naga Morich é uma das pimentas mais ardidas já medidas. Foi considerada em 2011, de acordo com o Guinness World Records, com uma classificação de 1.382.118 Scoville Heat Units (SHU), uma planta que superou a leitura do Infinity Chilli. Em 2012, foi ultrapassado pelo escorpião de moruga de Trinidad e em 2013 a Carolina Reaper como a mais ardida do mundo.
Para colocar isso em perspectiva, vamos compará-la com duas pimentas mais comuns no Brasil:
- A pimenta Dedo-de-Moça, bastante utilizada em nossa culinária, varia entre 500 e 1.500 SHU. Ela oferece um calor suave e aromático, ideal para quem aprecia um toque picante sem intensidade.
- Já a Malagueta, que é consideravelmente mais picante que a Dedo-de-Moça, geralmente marca entre 50.000 e 100.000 SHU. Ela proporciona um ardor mais perceptível e é popular em pratos típicos.
Ou seja, a Naga Morich é centenas de vezes mais picante que a Malagueta e milhares de vezes mais forte que a Dedo-de-Moça. Seu nível de capsaicina (o composto responsável pela picância) é tão elevado que o consumo direto pode ser uma experiência intensa até para os mais acostumados com pimentas fortes, sendo frequentemente utilizada em molhos extremamente picantes ou para extração. É uma pimenta para ser manuseada com cuidado e respeito!
Então o ideal é deixá-fermentando por uns 2 meses, com um pouco de açúcar em ambiente controlado, para evitar contaminação e fazendo um blend com frutas como a manga e o maracujá e outras pimentas como a pimenta de cheiro, e voce terá uma pimenta de resultado saboroso e excepcional.
Devido aos componentes químicos capsaicina e pirerina contidos na pimenta, elas atuam como agente anti-inflamatório e melhoram o humor. Algumas propriedades também elevam a produção de endorfina, considerado o hormônio do prazer e que aumenta a sensação de bem-estar.
Voltando ao mercado depois da aula de pimentas…
O cenário global, após alguns solavancos anteriores, parece ter encontrado um ritmo mais alegre. Índices como o S&P 500, Nasdaq e seus congêneres europeus e asiáticos exibiram um notável vigor, recuperando-se com o entusiasmo de quem encontra dinheiro esquecido no bolso do casaco. Aparentemente, uma trégua comercial entre Estados Unidos e China, com direito a reduções tarifárias que mais pareceram liquidação de queima de estoque, acalmou os ânimos.
Até mesmo as ameaças tarifárias do Sr. Trump à União Europeia foram elegantemente postergadas, e uma corte americana interveio para, ao menos temporariamente, colocar um freio em tarifas recíprocas. Um verdadeiro balé diplomático-econômico com reflexos positivos nos portfólios.
Por aqui, nas terras tupiniquins, o Ibovespa, +15,17% no ano, em sua performance nominal, atingiu um novo pico, para deleite dos otimistas.
O Banco Central, através do Copom, elevou a Selic para 14,75% ao ano, mas o fez com um tom mais brando, quase um “estamos chegando ao fim do aperto, pessoal, podem respirar um pouco mais aliviados”.
Houve um breve momento de suspense com o anúncio de mudanças no IOF, que fez o mercado dar uma leve tropeçada. No entanto, um recuo parcial do governo foi o suficiente para que os ativos locais demonstrassem uma resiliência digna de nota, recuperando-se com agilidade. É o Brasil mostrando que, mesmo com alguns sustos no roteiro, o espetáculo da valorização tem continuado.
No front corporativo, a temporada de resultados do primeiro trimestre de 2025 mostrou-se sólida, superando um quarto trimestre de 2024 mais modesto. Uma parcela considerável das empresas entregou lucros e EBITDA acima do esperado, com destaque para os setores de construção de baixa renda e financeiro. O setor de bens de capital, por sua vez, ficou devendo um desempenho mais robusto.
Este rali no mercado brasileiro foi alimentado, em grande parte, por um robusto fluxo de capital estrangeiro – que em maio atingiu o maior volume mensal desde dezembro de 2023 – e por uma rotação global de investimentos que tem olhado com bons olhos para a América Latina. O índice do setor imobiliário e o de “small caps” foram os destaques na B3, impulsionando o Ibovespa a uma valorização de 2,57% no mês, acumulando um respeitável ganho de 15,17% no ano.
Em suma, maio de 2025 parece ter sido um mês em que os ativos de risco, de forma geral, tiveram motivos para celebrar. Se esta tendência é um namoro de verão ou um casamento duradouro, apenas as próximas temporadas poderão dizer.
Por ora, como costumamos gracejar, mantenham a diversificação em dia e o bom humor em alta, pois no mercado, assim como na vida, surpresas sempre podem acontecer!
Investimentos no ano até abril de 2025
O bitcoin liderou a ponta de cima, com valorização de quase 13,2% em abril, seguindo por Small Caps (8,47%) e ouro (4,96%) — tradicionalmente um porto-seguro dos investidores em momentos de grandes incertezas.
O Ibovespa — referência do mercado brasileiro — teve desempenho positivo, avançando 3,69%.








