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“Existe apenas um lado do mercado e não é o do touro nem o do urso, mas o lado certo.”
Jesse Livermore, um dos maiores operadores de todos os tempos

Onde investir em dezembro:

Cadê o touro?

Prezado leitor, um Feliz natal.

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“Existe apenas um lado do mercado e não é o do touro nem o do urso, mas o lado certo.”

Jesse Livermore, um dos maiores operadores de todos os tempos.

Ufa, enfim está acabando este ano tão difícil.

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Antes de qualquer coisa, precisamos definir dois termos comumente utilizados no mercado financeiro:

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• Estar altista/bullish: tendência em um mercado de ações na qual, pela predominância da demanda, os preços dos papéis sobem. O termo em inglês vem de “bull” (touro), cuja origem é a simbologia do touro, animal que ataca com o chifre, realizando movimentos de baixo para cima, erguendo seu rival no ar.

• Estar baixista/bearish: tendência em um mercado de ações na qual, pela predominância da oferta, os preços dos papéis caem. O termo em inglês vem de “bear” (urso). Um urso ataca com movimentos da garra de cima para baixo, derrubando seu adversário, daí a origem do termo.

Outra teoria diz que o termo bearish veio da história de um comerciante inglês de peles de urso que costumava vender seus produtos antes de receber.
Funcionava assim: ele vendia peles, recebia o dinheiro e ficava de entregar depois. Quando o produto chegava, se o preço estivesse abaixo do valor que tinha recebido do cliente, ele comprava o produto do fornecedor por um preço mais baixo. Entregava para o cliente e então ficava com a diferença! Ou seja, ele basicamente fazia uma operação de venda a descoberto (vender algo sem ter)!

Daí surgiu a frase: “Não venda a pele (de urso) sem tê-la”.

Então, o que tentaremos entender de agora em diante é como funciona essa batalha diária entre touros e ursos no mercado financeiro.

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Histórias de Mercado: “O Touro de Wall Street”

Muita gente falou sobre o Touro da B3 que foi retirado por falta de licença da prefeitura de são Paulo, mas será que as pessoas conhecem a história do Touro da bolsa de Wall Street, e das suas origens *ilegais*?

Tudo começou em 1987, com a Black Monday, maior queda percentual em um dia na história da bolsa americana (-22,6%), que acabou afetando bolsas no mundo todo.

Motivado por isso, um escultor resolveu construir uma estátua para inspirar  a continuarem em tempos difíceis e celebrar a perseverança do profissional de negócios americano. O touro foi escolhido para representar o mercado “touro” (ou em ascensão) e a economia próspera – algo por que todos lutavam depois do crash.

O escultor era Arturo Di Modica (na foto acima) , um italiano que havia se tornado cidadão americano. Ao longo de dois anos, ele gastou US$360 mil para construir a estátua de bronze de 3,5 toneladas. A questão era o que fazer com a estátua após completá-la. Di Modica queria algo especial.

Tudo aconteceu no dia 15 dezembro de 1989, de madrugada, no meio de uma noite gélida daquele que era o mês de dezembro mais frio registrado na história de Nova Iorque, durante uma pausa de 8 minutos dos policiais que patrulhavam a frente da Bolsa de Valores da cidade.

Com a ajuda de um guindaste alugado, Di Modica e alguns comparsas conseguiram nesse intervalo instalar a enorme estátua bem em frente à Bolsa. Depois, fugiram e esperaram. De manhã, a estátua obviamente chamou a atenção dos que passavam, virando um sucesso imediato.

Naquele mesmo dia as pessoas já formaram filas para tocar nos chifres (e em outros lugares) do Touro como sinal de boa sorte. Tradição que permanece até hoje. Mas oficiais da Bolsa de Nova Iorque ficaram incomodados com o “intruso” e, no mesmo dia, contrataram um serviço privado para remover o Touro.

O que ninguém esperava é que, em menos de um dia, o Touro havia se tornado um símbolo tão forte que o público simplesmente se recusou a aceitar a retirada da estátua. A comoção foi tanta que saiu até no New York Post.

Poucos dias depois, o Departamento de Parques e Recreação de Nova Iorque arranjou para que a estátua fosse colocada no parque público mais antigo da cidade, Bowling Green, no coração do mercado financeiro mundial, de onde ela nunca mais foi retirada.

Curiosidade: Di Modica colocou a estátua à venda em 2004, com a promessa de que o comprador nunca a moveria. Até hoje, ela permanece não vendida e a Família de Di Modica  ainda mantém os direitos autorais da peça.

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Coisas que nunca aconteceram antes acontecem o tempo todo

Mercados sendo impactados por uma nova variável, a Ômicron, nova variante da Covid-19.

A Ômicron deve ser motivo de tal preocupação?

Esta é a pergunta mais difícil e aquela para a qual todos gostariam que houvesse uma resposta. Ao que tudo indica, estaríamos muito melhor preparados hoje para evitar uma grande propagação dessa variante do que estávamos quando a Alfa e a Delta surgiram.


Pela falta de previsibilidade e dúvidas que serão solucionadas nas próximas semanas o ambiente para negócios segue desafiador e estamos nos posicionando de maneira conservadora. Inflação global ainda é um problemas. EUA e Europa podem estar em pontos de inflexão enquanto a situação da economia Chinesa ainda traz cautela.

O Brasil bem que poderia proporcionar surpresas positivas no âmbito político, mas ninguém quer contar com isso…

Destacamos o bom desempenho das taxas de juros de longo prazo no Brasil.

O mercado de renda fixa sempre dá sinais importantes e acreditamos que o mesmo está indicando que grande parte dos fatores de risco já estão precificados, e assim, a falta de reação dos mercados de ações se dá muito mais por uma questão de escolha por falta de perspectivas e taxas de renda fixa atrativas do que receios em relação a surpresas negativas no curto prazo. Sempre há espaço para uma maior deterioração, por isso a cautela e parcimônia são importantes nesses momento.

Curva de juros futuros em 1-dez-2021 

No penúltimo mês do ano, com as incertezas aprofundadas pelo avanço da pandemia, principalmente na Europa – ainda mais com a descoberta de uma cepa mais transmissível da covid-19, a ômicron –, o investidor se afasta dos ativos de risco e mira em portos mais seguros. E com razão.

A renda fixa assumiu lugar de destaque no ranking das aplicações em no ranking das aplicações em novembro, figurando como o investimento mais rentável do período. A opção IMA-B 5+, índice da Anbima que representa uma cesta de títulos atrelados à inflação com vencimento acima de cinco anos, valorizou +4,47%.

O fluxo de saída de recursos de um grupo de fundos que acompanhamos semanalmente. Nos últimos 30 dias, elevada saída de Multimercados e os fundos de ações tb continuam sofrendo resgates. A competição com a renda fixa tem sido cruel para a indústria de fundos…

A renda fixa vai ser concorrência grande para a bolsa e o cenário para as empresas mais desafiador.

A Bolsa brasileira continua barata, em quaisquer métricas que mensuramos (Preço/Lucro, excluindo commodities, em relação à Renda Fixa e no relativo contra outras Bolsas). Isso por si só não garante retornos positivos, mas para o investidor com paciência e visão de longo prazo, esses momentos de turbulência tendem a ser os melhores para investir.Mantemos nossos três temas principais de investimentos na Bolsa:

1) Commodities, por serem uma boa proteção em relação à inflação e ao Dólar alto,

2) Histórias com crescimento secular, que dependem menos do Macro mais desafiador, e

3) Oportunidades específicas, de ações de qualidade que caíram demais recentemente.

Após a correção, o Brasil está sendo negociado a um P/L projetado de 12 meses de 10,3x, um desvio padrão abaixo de sua média histórica de 12,7x.

Talvez mais interessante, com a queda nas taxas de longo prazo no mês passado (as taxas de 10 anos caíram para 5,1% hoje, de 5,5% um mês atrás), o prêmio para manter ações, medido como o inverso do P/L menos as taxas de juros reais de 10 anos, aumentaram para 4,8%, mais de um desvio padrão acima da média e um dos maiores níveis que encontramos no passado.

Os investidores, tanto locais quanto estrangeiros, estão reduzindo a exposição às ações brasileiras. Os fundos de ações locais registraram um fluxo de saída de R$ 4,9 bilhões em novembro, após saídas de R$ 6,1 bilhões em outubro. Nos últimos 3 meses, o fluxo de saída de fundos de ações soma R$ 12 bilhões.

As principais recomendações são ativos de crédito, ativos com isenção fiscal e diversificação internacional.

A sugestão é ter um mix com todos os papéis de renda fixa: pós-fixados, indexados ao IPCA e prefixados na média indicada para cada perfil, por isso fale com seu assessor de investimento.

Com a Selic em alta e o IPCA também,  há prêmios muito atrativos, em dívida soberana e crédito privado, com ganhos nominais na casa dos dois dígitosOs ativos corrigidos pela inflação têm um adicional de IPCA + 5% a +7% ao ano, dependendo do grau de risco e prazo.

Vale selecionar papéis com isenção de imposto de renda, como certificados de recebíveis imobiliários e do agronegócio (CRI e CRA), debêntures de infraestrutura ou fundos com esses ativos. “Em momentos de IPCA elevado, é interessante contar com a isenção do IR porque o imposto come parte da correção.

A diversificação com ativos externos segue na pauta, apesar da desvalorização cambial. Diante do acesso aberto ao público de varejo para compra de recibos de ações estrangeiras (BDR) e fundos de índice (ETF), é o tipo de alocação que pode ser feito diretamente na B3.

Mesmo com os ativos brasileiros depreciados, gestores de recursos têm dado preferência para as classes de fora. Há quem até veja preços atrativos entre as alternativas locais, mas com o ambiente político e fiscal nebuloso, o mercado externo parece ser um lugar mais amigável.

O mundo caminha para 2022 com uma questão inflacionária ainda não endereçada. Vemos pressões altistas na inflação ao redor do mundo, o que tem levado diversos bancos centrais a um processo de normalização monetária, ou retirada de estímulos.

A inflação no mundo ainda é um tema que merece atenção especial. Merece a nossa atenção sobre quais serão as estratégias adotadas pelos governos para contornar essa situação negativa e impopular.

A forte queda em novembro do Baltic Dry Index (BDI) sugere que podemos ter passado pelo pico da ruptura do “supply chain” global, porém, deveremos acompanhar os efeitos da nova variante do coronavírus.

Neste momento, julgamos que o cenário central seja de continuidade desses movimentos, ou seja, inflação ainda elevada e continuidade dos movimentos de aperto de liquidez.

Qualquer auxílio fala conosco!

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Rendimento em NOVEMBRO de 2021

 

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Onde investir em dezembro: Cadê o touro?
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Onde investir em dezembro: Cadê o touro?
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Coisas que nunca aconteceram antes acontecem o tempo todo Mercados financeiros sendo impactados por uma nova variável, a Ômicron, nova variante da Covid-19. A Ômicron deve ser motivo de tal preocupação?
Flávio Lemos
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