"O grande dinheiro não está na compra e na venda, mas na espera.." – Charles Munger
Prezado leitor ,

Em julho fizemos a primeira parte desta saga, leia aqui
🎩 O Ilusionista das Finanças: O Retorno do Investidor Incauto 🎩
A Nova Tentação: Meses se passaram desde o fiasco com o “Amigo do Amigo”. Você, agora mais cauteloso, jurou nunca mais cair em promessas vazias. Mas o mundo das finanças é um labirinto de tentações. Um dia, enquanto navega por um fórum de investimentos, uma nova figura emerge: “O Guru das Criptos”. Ele promete retornos astronômicos com moedas digitais exóticas. “Desta vez é diferente”, você pensa. “Criptomoedas são o futuro!”
A Armadilha Digital: O “Guru das Criptos” tem um site polido, repleto de gráficos ascendentes e testemunhos brilhantes. Ele oferece um curso exclusivo, com vagas limitadas, por um preço “promocional”. Você hesita, mas a curiosidade e a promessa de riqueza rápida falam mais alto. Você se inscreve.
O Curso Cripto Milagroso: As primeiras lições são fascinantes. O “Guru” fala com eloquência sobre blockchain, descentralização e oportunidades únicas. Você começa a investir pequenas quantias e, para sua surpresa, vê alguns lucros. A confiança cresce. O “Guru” então revela a “jóia da coroa”: uma nova criptomoeda prestes a explodir no mercado. “Invista agora ou perca para sempre”, ele avisa.
O Mergulho no Abismo: Empolgado, você investe uma quantia significativa. Os primeiros dias são promissores, mas logo a moeda começa a despencar. O fórum do “Guru” fica silencioso. As mensagens de outros investidores se transformam em gritos de desespero. O “Guru das Criptos” desaparece, deixando apenas um site fora do ar e uma comunidade desolada.
A Reflexão Amarga: Sentado diante da tela, você reflete sobre suas escolhas. A lição é clara: o mundo das finanças está repleto de ilusionistas, cada um com um truque novo e brilhante. Mas a verdadeira magia está na paciência, na pesquisa e na diversificação.
A Redenção: Decidido a não ser mais uma vítima, você começa a estudar finanças de verdade. Lê livros, participa de seminários e consulta especialistas respeitáveis. Aos poucos, constrói um portfólio sólido e diversificado. Os retornos são modestos, mas constantes. E, acima de tudo, são reais.
Moral da História: Para terminar Primeiro, você deve primeiro Terminar .Tudo que é grandioso na vida leva tempo. Os melhores registros de investimentos são construídos ao longo de décadas.Para construir um histórico ao longo de décadas, você deve sobreviver aos piores momentos.
Em vez de focar no sucesso rápido, concentre-se na longevidade.
A verdadeira riqueza não está em esquemas mirabolantes, mas na sabedoria adquirida e na disciplina aplicada. Lembre-se: no mundo das finanças, não há atalhos para o sucesso duradouro.
O melhor investimento nunca é uma ação. É sempre um investimento em você mesmo. Nada terá melhores retornos do que trabalhar em si mesmo. Seu conhecimento, caráter e saúde.
E o mercado?
No Brasil, tivemos mais um mês negativo, com o cenário macro doméstico – taxas mais altas e preocupações fiscais – pressionando os ativos. O Ibovespa caiu 1,6% em reais e 7,4% em dólares. Até agora em 2024, o índice acumula queda de 19% em dólares, um desempenho muito inferior em relação aos mercados globais.
Ventos contrários persistem no Brasil, mas o Ibovespa tem se mantido resiliente. O câmbio está a quase R$ 5,80, enquanto os juros reais de longo prazo estão próximos de 7%, mostrando sinais fortes de estresse nesse último mês. No entanto, o Ibovespa tem oscilado em torno de 130 mil pontos. Vemos isso como resultado de: (i) crescimento dos lucros; (ii) estímulos da China; (iii) fortes recompras e dividendos; e (iv) níveis de valuation baixos.
Trump vs. Kamala. Um risco potencial para os mercados emergentes e para o Brasil são as próximas eleições nos EUA. As crescentes chances
de uma vitória de Trump e de uma “onda vermelha” são vistas com preocupação devido ao aumento dos riscos de tarifas, um dólar mais
forte e taxas de juros mais altas. Exploramos o impacto das eleições americanas no Brasil. Sob um governo Trump, vemos os setores de
commodities se beneficiando de tarifas mais altas, e a guerra comercial poderia levar a China a aumentar a demanda pelo Brasil. Sob um governo
Kamala, proprodutores de minerais críticos e setores com exposição a investimentos verde são potenciais beneficiários.
Na China, as expectativas ainda são altas para mais anúncios de estímulos. As ações chinesas foram impulsionadas por cortes nas taxas de juros e medidas de afrouxamento para os mercados de imóveis e ações, mas todos os olhos agora estão voltados para o pacote fiscal esperado para o próximo mês. Apesar dessa
mudança de postura em relação aos estímulos, muitos investidores permanecem céticos quanto à possibilidade de que isso melhore estruturalmente o crescimento da China.
Entre a segurança e a “inovação”, o investidor que apostou nas duas possibilidades teve os melhores retornos em outubro. Bitcoin, ouro e dólar foram os ativos que registraram os melhores desempenhos no mês, resultado de uma equação delicada de fatores domésticos, com maior peso, e um cenário geopolítico global que alimentou as incertezas.
Conflitos militares no Oriente Médio e o período de maior acirramento na disputa entre o ex-presidente Donald Trump, pelo Partido Republicano, e Kamala Harris, pelo Partido Democrata, provocaram uma corrida a ativos mais seguros.Esse movimento externo foi alimentado pelo que os especialistas estão chamando de “Trump trade”. Segundo algumas promessas de campanha, Trump diz que vai cortar impostos e aumentar tarifas de importação, o que poderia aquecer demais a economia e levar o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) a voltar a subir juros.
Mais juros nos EUA, mais dólares voltam para casa.
A desconfiança do mercado sobre a capacidade do governo federal de cumprir as metas estabelecidas pelo arcabouço fiscal e manter as contas públicas saudáveis foi a tônica do mês. Uma fuga de dólares levou a cotação da moeda americana à máxima em mais de três anos, batendo R$ 5,85.







