Ampliando sua Análise Técnica com Indicadores de Amplitude/Fôlego de Mercado na B3 (Parte 3) – Desvendando Extremos, Cumulação e Saúde da Tendência (High-Low Index, Net New Highs, High-Low Line, % Máximas e % MMs)
Prezado(a) leitor(a),
Bem-vindo(a) à terceira parte da nossa série sobre a expansão da sua análise técnica através dos indicadores de amplitude, ou “fôlego de mercado”, com foco na nossa B3. Nas partes anteriores, desvendamos o TRIN e o Zweig Breadth Thrust, que analisam a dinâmica do volume e do número de ações em alta versus baixa, e exploramos a Linha de Avanço-Declínio (LAD), o McClellan Oscillator e o Summation Index, focando na acumulação e no momentum da participação do mercado.
Agora, vamos aprofundar ainda mais, olhando para indicadores que nos mostram a qualidade da participação, a saúde geral da tendência e a cumulação de força nos extremos ao analisar o comportamento das ações em relação aos seus picos e vales históricos e às suas médias de preço. Nesta terceira etapa, vamos desmistificar o High-Low Index, os Net New 52-Week Highs, o High-Low Line, o Percentual de Ações fazendo máxima em 21 dias e o Percentual de Ações Acima das Médias Móveis
High-Low Index: A Força nos Extremos
O High-Low Index é um indicador de amplitude que compara o número de ações atingindo novas máximas de 52 semanas com o número de ações atingindo novas mínimas de 52 semanas. Ele nos dá uma medida da força ou fraqueza subjacente do mercado ao olhar para o comportamento das ações nos seus extremos de preço em um horizonte de tempo mais longo.
Como funciona:
Tipicamente calculado como a razão entre o número de novas máximas de 52 semanas e a soma das novas máximas e novas mínimas de 52 semanas, muitas vezes suavizado por uma média móvel (geralmente de 10 dias).
Record High Percent = {New Highs / (New Highs + New Lows)} x 100
High-Low Index = 10-day SMA of Record High Percent

- Interpretação:
- Um High-Low Index em alta, especialmente acima de um determinado limiar (por exemplo, 50% ou 0.5, dependendo da escala usada, que pode ser em percentual ou decimal), sugere que mais ações estão participando da alta do mercado, alcançando novos picos. Isso indica força e um ambiente altista.
- Um High-Low Index em queda, especialmente abaixo de um determinado limiar, sugere que mais ações estão caindo para novas mínimas, indicando fraqueza e um ambiente baixista.
- Assim como outros indicadores de amplitude, as divergências são cruciais. Se o índice Bovespa (ou outro índice de referência) atinge uma nova máxima, mas o High-Low Index não confirma, fazendo uma máxima menor, isso pode indicar que a alta não está sendo sustentada pela maioria das ações, um sinal de divergência bearish e potencial reversão. O oposto se aplica a divergências bullish.
Aplicação na B3: Calcular este índice para o mercado brasileiro requer acesso a dados diários de novas máximas e mínimas de 52 semanas para um conjunto amplo de ações listadas na B3. Acompanhar a tendência desse índice e suas divergências em relação ao Ibovespa pode fornecer insights valiosos sobre a qualidade dos movimentos de preço.

High-Low Line: A Visão Acumulada dos Extremos Anuais
O High-Low Line pega o conceito do Net New 52-Week Highs e o torna cumulativo. É a soma corrente do saldo diário de novas máximas menos novas mínimas de 52 semanas ao longo do tempo. É, em essência, a Linha de Avanço-Declínio usando apenas as ações que atingiram extremos de 52 semanas.
Como funciona:
Calculado como: High-Low Line (Hoje) = High-Low Line (Ontem) + (Novas Máximas 52 Semanas Hoje - Novas Mínimas 52 Semanas Hoje). Geralmente começa de zero ou de um ponto de referência inicial.
- Interpretação:
- A tendência da linha é o mais importante. Uma linha ascendente indica que, ao longo do tempo, a acumulação de dias com mais novas máximas supera os dias com mais novas mínimas.
- Uma linha descendente indica o contrário.
- Divergências: Este é um dos principais usos do High-Low Line.
- Se o índice (Ibovespa) faz uma nova máxima histórica ou de longo prazo, mas o High-Low Line faz uma máxima inferior ou já está em declínio, isso é uma divergência bearish significativa. Sugere que o rali principal não está sendo confirmado por uma base ampla de ações alcançando novos patamares anuais, indicando uma potencial falta de fôlego ou distribuição no topo. O High-Low Line é conhecido por frequentemente antecipar topos de mercado.
- Se o índice faz uma nova mínima, mas o High-Low Line faz uma mínima superior ou se estabiliza/sobe, é uma divergência bullish, sugerindo que a pressão vendedora que leva ações a novas mínimas anuais está diminuindo.
Aplicação na B3: O High-Low Line é uma ferramenta de longo prazo para confirmar ou questionar a validade das tendências principais do índice Bovespa, especialmente útil na detecção de topos importantes através de divergências. Exige o cálculo diário do Net New 52-Week Highs e sua soma acumulada.

Net New 52-Week Highs: O Saldo dos Extremos
Intimamente relacionado ao High-Low Index, o Net New 52-Week Highs é uma versão mais simples que calcula o saldo entre o número de ações que atingem novas máximas de 52 semanas e o número de ações que atingem novas mínimas de 52 semanas em um determinado dia.
Como funciona:
Calculado como: # Novas Máximas de 52 Semanas - # Novas Mínimas de 52 Semanas.
- Interpretação:
- Um valor positivo e crescente indica que há mais ações fazendo novas máximas do que mínimas, um sinal bullish.
- Um valor negativo e decrescente indica que há mais ações fazendo novas mínimas do que máximas, um sinal bearish.
- Assim como o High-Low Index, as divergências são importantes. Uma alta do mercado que não é acompanhada por um saldo positivo crescente de Novas Máximas (ou até mesmo um saldo negativo) sugere fraqueza subjacente.

Aplicação na B3: Este indicador é talvez mais intuitivo para visualizar a força nos extremos. Plotado ao longo do tempo, ele mostra claramente os períodos em que o mercado está amplamente forte (saldo positivo) ou fraco (saldo negativo). A necessidade de dados sobre novas máximas e mínimas de 52 semanas para as ações da B3 também se aplica aqui.
Percentual de Ações Atingindo Novas Máximas de 21 Dias: O Fôlego de Curto Prazo
Para complementar a visão dos extremos de longo prazo (52 semanas), podemos olhar para a atividade nos extremos de curto prazo. O Percentual de Ações Atingindo Novas Máximas de 21 Dias mede a proporção de ações que demonstram força no último mês de negociação (aproximadamente 21 dias úteis).
Como funciona:
Para um determinado universo de ações, calcula-se: (# Ações que fizeram Nova Máxima nas Últimas 21 Dias) / (Total de Ações Analisadas) * 100.
- Interpretação:
- Um percentual alto e crescente indica que um grande número de ações está demonstrando força de curto prazo, atingindo seus picos recentes. Isso sugere forte momentum de alta no curto prazo e ampla participação na movimentação recente.
- Um percentual baixo e decrescente indica que poucas ações estão atingindo novas máximas de curto prazo. Isso pode sinalizar uma perda de momentum, consolidação ou fraqueza subjacente no curto prazo.
- Divergências: Se o índice (Ibovespa) atinge uma nova máxima de curto prazo, mas o percentual de ações em nova máxima de 21 dias não confirma, pode indicar que a alta recente está sendo puxada por poucas ações, não sendo sustentável no curto prazo.
Aplicação na B3: Este indicador é útil para avaliar a saúde do rali ou da correção mais imediata. Níveis muito altos podem sinalizar condições de sobrecompra de curto prazo, enquanto níveis muito baixos podem sugerir pânico ou exaustão vendedora no curto prazo. Requer dados diários de fechamento para calcular a máxima dos últimos 21 dias para cada ação e a contagem das que superam essa máxima.
Percentual de Ações Acima das Médias Móveis (30, 90, 200 dias): A Saúde da Tendência
Este conjunto de indicadores nos oferece uma visão da saúde geral e da força da tendência do mercado, medindo qual percentual de um determinado universo de ações está sendo negociado acima de suas respectivas médias móveis de curto (30 dias), médio (90 dias) e longo (200 dias) prazo.
Como funciona:
Para cada dia, calcula-se: (# Ações Acima da sua MM X dias) / (Total de Ações Analisadas) * 100.
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Interpretação (Geral):
- Um alto percentual (próximo a 80% ou mais) indica um mercado muito forte, potencialmente sobrecomprado no curto/médio prazo (dependendo da média móvel utilizada).
- Um baixo percentual (próximo a 20% ou menos) indica um mercado muito fraco, potencialmente sobrevendido e próximo a um fundo (dependendo da média móvel utilizada).
- A faixa intermediária (entre 40% e 60%) muitas vezes representa um mercado lateral ou em transição. Cruzamentos da linha de 50% podem ser vistos como sinais de força (cruzando para cima) ou fraqueza (cruzando para baixo) na participação da tendência.
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Interpretação (Por Período da MM):
- 30 dias: Reflete a saúde da tendência de curto prazo e o momentum imediato. É mais volátil e útil para identificar picos e fundos de curto prazo.
- 90 dias: Reflete a saúde da tendência de médio prazo. Oferece um sinal mais estável do que a MM de 30 dias.
- 200 dias: Considerado um dos indicadores mais importantes da saúde da tendência de longo prazo do mercado. Um percentual alto e crescente acima da MM de 200 dias é um sinal clássico de um bull market robusto. Um percentual baixo e decrescente sugere um bear market ou uma correção significativa. Atingir níveis muito baixos (por exemplo, menos de 20%) no percentual acima da MM de 200 dias pode sinalizar pânico e potencial exaustão vendedora.
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Uso Combinado: Acompanhar estes três percentuais juntos oferece uma visão multifacetada. Por exemplo, em uma tendência de alta saudável, você esperaria ver um alto percentual de ações acima das MMs de 30, 90 e 200 dias. Durante uma correção, o percentual acima da MM de 30 dias pode cair significativamente, enquanto o percentual acima das MMs de 90 e 200 dias se mantém mais elevado, indicando que a tendência de médio/longo prazo ainda está intacta.
Aplicação na B3: O cálculo destes indicadores para a B3 requer acesso aos dados históricos de fechamento e a aplicação das médias móveis para um universo relevante de ações (novamente, Ibovespa, IBRX 100, ou uma lista própria). Plataformas de análise técnica e dados podem fornecer esses cálculos prontos ou permitir que você os crie. Acompanhar a evolução desses percentuais em relação ao Ibovespa pode ajudar a confirmar ou questionar a força dos movimentos do índice.
Combinando os Indicadores para uma Visão Ampla
Os indicadores apresentados nesta parte (High-Low Index, Net New 52-Week Highs e Percentual Acima das MMs) complementam os indicadores da Parte 1 (TRIN, ZBT) e Parte 2 (LAD, McClellan, Summation Index).
- Enquanto TRIN e ZBT focam na velocidade e pressão do fluxo de alta/baixa (volume/quantidade), e LAD/McClellan/Summation Index medem a cumulação e o momentum dessa participação, os indicadores desta parte olham para a qualidade (novas máximas/mínimas) e a saúde geral da tendência (% acima das MMs).
- Uma alta do mercado é mais confiável quando confirmada por um High-Low Index/Net New Highs em ascensão e um percentual crescente de ações acima de suas médias móveis, especialmente a de 200 dias.
- Divergências entre o índice de preço (Ibovespa) e estes indicadores de amplitude podem fornecer sinais importantes de alerta ou de oportunidades.
Conclusão
A análise da amplitude do mercado é uma ferramenta poderosa que adiciona profundidade à análise técnica tradicional focada apenas nos gráficos de preço do índice. Ao entender o High-Low Index, Net New 52-Week Highs e o Percentual de Ações Acima das Médias Móveis, você pode ter uma visão mais clara sobre a força subjacente, a qualidade da participação e a saúde da tendência do mercado brasileiro.
Integrar esses indicadores com aqueles que discutimos nas partes anteriores lhe proporcionará uma perspectiva mais completa, ajudando a validar movimentos de preço, identificar potenciais pontos de virada e gerenciar seu risco de forma mais informada.
Esperamos que esta série esteja sendo útil para ampliar suas ferramentas de análise no mercado da B3. Explore esses indicadores, veja como eles se comportaram historicamente e considere adicioná-los ao seu conjunto de ferramentas de tomada de decisão.
Continue acompanhando nosso blog para mais insights sobre análise técnica e mercados financeiros!
Deixe seus comentários abaixo: Você já utiliza algum desses indicadores? Como eles têm funcionado na sua análise da B3?
Até a próxima!










