E você superou o seu medo? ICHIGO ICHIE.
A expressão japonesa ichi-go ichi-e, significa algo como “somente esta vez”, “nunca mais”, “chance única na vida” ou, de forma mais literal, “um momento, um encontro”.
Nada é igual, nada é pra sempre, nada pode ser refeito. Ichi-go ichi-e. Um momento, um encontro. Depois nunca mais.
Como disse em minha última carta: “Momentos de alta volatilidade também trazem oportunidades: preços baixos -na xepa- dos ativos que ninguém quer comprar. Comprar barato, quando ninguém quer, é difícil, ainda mais com a mídia gerando pânico, desespero. A mídia em seu papel mais ingrato como fonte de desinformação.
O preço de uma ação é o seu passaporte para entrar no patrimônio de uma empresa. Curiosamente, quanto o cenário está “favorável”, ele não está dizendo bulhufas sobre o que virá pela frente é apenas um sofisticado chute, mas ele tem a capacidade de fazer os preços subirem. O seu tíquete de entrada como acionista numa empresa é bem mais caro quando o cenário está “favorável.
Más empresas são destruídas pela crise, boas empresas sobrevivem a ela e ótimas empresas são melhoradas por ela.
Bolsa não é a economia. Não se enganem com os preços das ações, elas refletem um universo muito menor e mais robusto do que a média da economia real.
A bolsa subiu + 8,76% este mês, e +30 % desde o fundo de março.
As companhias se desalavancaram (reduziram dívida), chegaram à crise capitalizadas, com custos controlados e têm acesso a crédito a 3% ao ano, não mais a 15%. Uma menor taxa de desconto nos cálculos de valor justo das ações também tem o efeito de aumentar seu valor.
Os juros menores – a Selic está em 2.25% ao ano- também elevam a propensão da pessoa física a ter ações no portfólio, algo que explica o aumento de CPFs cadastrados na B3 bem no meio da crise. “Quando se coloca tudo isso junto, temos um ambiente em que as ações podem subir, com sustos pelo caminho, mas com certo descolamento entre a atividade real e a bolsa.”
No cenário global, dois importantes fatores ajudaram os ativos brasileiros no último mês:
1) ativos de maior risco entre as maiores altas devido a reabertura das economias (como dívidas de alto risco “high yield”, ações de empresas aéreas e de cruzeiros, mercados emergentes, dentre outros) estão entre os ativos que mais se recuperaram nas últimas semanas. Isso por conta do otimismo do mercado com a reabertura econômica no mundo, ao mesmo tempo em que não há sinais claros de uma segunda onda de casos de COVID ocorrendo por conta das reaberturas na Europa e nos EUA.
2) a rotação de ações de crescimento (growth) para valor (value). Nos últimos 12 anos, as ações de empresas de crescimento vem ganhando de longe das ações consideradas ”baratas”, também conhecidas como ações de valor. Os setores expoentes dessas categorias em growth (crescimento) são tecnologia , e nas ações de valor (value) bancos e commodities. O índice Ibovespa no Brasil tem 55% da sua composição justamente em bancos e commodities, e menos de 2% em tecnologia, e havia sofrido também por conta dessa composição setorial. No último mês, com a redução da aversão à risco, o mercado começou a comprar “os ativos que ficaram para trás”, que são justamente os setores de valor e mercados emergentes. Caso essa rotação continue, o Brasil se beneficia fortemente dessa tendência.
3) Preços de commodities se recuperando do menor patamar em 20 anos
Carteira de dividendos
Repare como a carteira de dividendos abaixo tem de taxa de dividendos bem superior a taxa de renda fixa atual. Mas há de controlar seu estômago,não é para qualquer perfil de risco.

Vai ter vacina.
A mídia sempre encontrará uma maneira de exagerar o pessimismo “Não vai ter vacina tão cedo” ou o otimismo “já estão testando a vacina da FioCruz”, mas se você se lembra do conceito de Ichigo Ichie, sabe que cada dia é um momento distinto no tempo, e essa rara ocorrência é precisamente o que deveria estar ocorrendo. Separar o que é ruído (o joio) do que importa (o trigo) . esse é o nosso trabalho.
A Quinta REVOLUÇÃO
Nos últimos meses, forçado pela quarentena imposta pela chegada do coronavírus, vi minha rotina mudar radicalmente: aniversários juninos de meus filhos e o meu foram substituídos por videoconferências familiares, passeios no comércio de rua se tornaram compras online e o me escritório deu lugar ao home office.

Já fiz um upgrade de home office, atualmente estou em um jardim office , preparando para a volta ao escritório muito em breve. Realmente a internet (com boa conexão) nos propicia oportunidades únicas, já estou até pensando em trabalhar um tempo na Bahia, em Mato Grosso ou quem sabe até em Lisboa. O fato é que nunca tive essa oportunidade antes, até que a atual situação mostrou para todos nós que o trabalho remoto não apenas era possível, como poderia ser mais eficiente também. Só acho que no meu caso a comunicação e principalmente a orientação aos mais jovens e inexperientes ficam prejudicadas. Afinal sou um dos responsáveis de passar a cultura e os ensinamentos da empresa a todos os colaboradores.
O aumento da produtividade não é o único benefício. Muitas empresas têm falado de grandes possibilidades de redução de custos com aluguéis de escritórios, transporte, vale-refeição dos funcionários, entre outros pontos. Além disso, muitas empresas ressaltam a possibilidade de contratação de profissionais qualificados por custos menores, em qualquer lugar do país ou do mundo, o que antes era impedido pela necessidade de presença física destes no local de trabalho. Dito isto acho que fundos imobiliários de lajes corporativas estão com perspectivas sombrias.
Queda das taxas
Com a queda brusca observada na atividade nos últimos meses, o Banco Central, que parecia satisfeito com a taxa Selic em 4,50% ao ano, precisou dar continuidade ao ciclo de relaxamento monetário. Hoje, estamos com juros de 2,25%, com possibilidades de novas quedas à frente – a depender dos dados que serão divulgados nas próximas semanas. A rentabilidade da poupança tem ficado cada vez mais apertada com os cortes recorrentes na taxa básica de juros, a Selic. Hoje, a caderneta, tão amada pelos brasileiros há alguns anos por ser segura e por dar bons ganhos na época de juros altos, rende apenas 1,58% ao ano.
Soma-se a isso a queda na atividade, que veio acompanhada de uma queda na inflação, até mesmo negativa em alguns meses, e nas suas expectativas para o próximo ano.
Boa parte desse movimento foi ocasionada por conta da queda nos preços dos combustíveis, acompanhando a baixa no preço do petróleo no mercado internacional. Uma vez que a atividade praticamente parou, é normal observarmos uma queda na demanda por petróleo.
Bancos centrais botando grana no mercado.
Porém, os bancos centrais e os governos reagiram de maneira rápida e forte, anunciando pacotes cada vez maiores de estímulos à economia. Essas ações fizeram com que o preço das commodities, inclusive do petróleo, se recuperasse bem dos níveis mínimos, afinal, com mais dinheiro na economia, a atividade tende a apresentar uma perspectiva melhor, e assim o consumo de commodities tende a aumentar, elevando os seus preços.
Hoje, os países que passaram pelo pico da pandemia já começaram a adotar uma postura de relaxamento frente às medidas de restrição adotadas há alguns meses, e isso também ajuda os indicadores de atividade a voltarem a respirar.
O Brasil, apesar de ainda não ter passado por esse ápice ainda, também já começou a flexibilizar as medidas de restrição e iniciou um processo parcial de reabertura da economia.
Busca por ativos reais
Quando os bancos centrais imprimem dinheiro, o efeito matemático equivalente é a transferência de riqueza futura do cidadão, trazida p/ o presente, para ele mesmo. Você tira uma casa própria lá do futuro, e entrega na forma de um cheque hoje. Mas como? Via inflação de ativos.
Com a volta, mesmo que incipiente, da atividade e a recuperação dos preços de bens derivados das commodities, a expectativa de números negativos de inflação foi, por ora, interrompida.
Riqueza é produção, inovação, tecnologia, aumento de produtividade, etc.
Impressão de dinheiro provoca desbalanceamento. Transferência de riqueza de uns para outros. Perde quem guarda dinheiro, quem não tem ativo. Ganha quem tem ativo, quem guarda estoque de trabalho em ativos reais.
A inflação projetada para os próximos meses agora está em patamares próximos àqueles observados antes da pandemia, porém os juros caíram muito desde o seu início.

Você está praticando Ichigo Ichie? Ou você está muito focado na próxima semana ou no próximo mês para apreciar o que está acontecendo neste exato momento?
O otimismo e o pessimismo sempre se excedem, porque os limites de ambos só podem ser conhecidos,em retrospectiva, depois de ultrapassados . Encontre a sua motivação.
Cuide dos seus investimentos enquanto jovem que eles cuidarão de você no futuro.
A hora é agora. Com os juros reais perto do negativo e menores riscos na trajetória da inflação, a situação ganhou uma dinâmica tão rápida que as pessoas terão que pensar melhor onde e como investir. E as pessoas já sabem disso: de acordo com a B3, a bolsa brasileira ganhou mais de 600 mil novos investidores entre março e junho.
Com a Selic baixa e sem expectativa de alta, os investimentos em renda fixa estão cada vez menos interessantes. O CDI rendeu só +0,21% no mês e 1,75% no ano e a poupança +0,17% e 1,58% no ano. Veja todos os rendimentos dos investimentos até 30 DE JUNHO no final desta carta..
Para o investidor conservador o cenário continua desafiador. As taxas de juros de curto prazo estão bastante baixas e os fundos de crédito continuaram amargando perdas leves e realizando volatilidade historicamente alta para classe.
É importante ter equilíbrio na carteira e saber o seu objetivo, o que vai fazer e quanto tempo você pode deixar aquele dinheiro investido. A diversificação é a melhor maneira de proteger os seus recursos.
Diversificação é um ganha-ganha para o investidor: a possibilidade de diminuição de perdas e volatilidade, e retornos no longo prazo.
No entanto, a diversificação ainda não é prioridade para os investidores, e, por mais incrível que pareça, a maior parte deles dá pouca atenção à importância de uma diversificação eficiente de seus investimentos.
Além disso, a maior parte dos investidores também não tem uma carteira tão diversificada quanto acredita ter, principalmente os brasileiros, que alocam 99% dos seus recursos no Brasil, onde não temos muitas opções de variação setorial e empresas líquidas na nossa Bolsa. Portanto, nossos investimentos, sejam eles em fundos, sejam em ações, são bastante correlacionados entre si.
A diversificação da carteira é tão importante quanto a sua estratégia de investimento quando se trata de bons retornos e gerenciamento de riscos. E aqui não estou falando somente de riscos atrelados à sua aplicação financeira, estou falando também de riscos associados à moeda (o nosso real é sempre muito volátil) e de riscos políticos e econômicos do nosso país.