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Com BC cauteloso, renda fixa continuará a ser atraente

Especialistas não esperam ousadia na redução do juro, o que garante bom retorno

Segurança. “Sou conservadora, então aplico em produtos de baixo risco”, diz a advogada Luiza Mesquita Campos – MARCOSALVES / Marcos Alves

RIO – O reinado da renda fixa entre os aplicadores brasileiros, que poderia ser ameaçado por um ritmo mais intenso de corte de juros, deve durar mais do que se imaginava. Com a esperada aceleração no aumento das taxas americanas sob Donald Trump e, por aqui, um Banco Central (BC) pródigo em sinais de parcimônia, especialistas esperam agora que a redução na taxa básica (Selic) tende a ser menos intensa. Como resultado, aplicações beneficiadas por juros altos, como títulos do Tesouro Direto, devem continuar bastante atraentes por mais tempo.

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Flavio Lemos, diretor da Trader Brasil Escola de Investidores, concorda que as antigas NTN-Bs são as aplicações mais recomendáveis a longo prazo, enquanto o pós-fixado é interessante para quem pode precisar do dinheiro a qualquer momento. Ele não recomenda prefixados.

— Esses papéis já e

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stão pagando 12% ao ano. Não acho que essa taxa vai cair muito para os novos títulos no ano que vem. Tem de ser muito otimista para acreditar que a economia vai melhorar a esse ponto — diz Lemos, que vê a Selic em 12% ao fim de 2017.

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Ele acrescenta que há boas oportunidades em LCIs e LCAs, isentos de IR, e em CDBs. Mas lembra que é preciso sair do eixo dos grandes bancos para achar rentabilidades mais altas nesses papéis.

— Parte importante dos meus investimentos está em CDB — conta Luiza Mesquita Campos, advogada de 28 anos, que tem entre seus CDBs um do banco Pine, que paga 117% do CDI, por meio da XP INVESTIMENTOS. — Sou conservadora, então aplico em produtos de baixo risco. Tenho interesse em aplicar em LCI, mas preciso estudar um pouco mais.

A advogada já investe no Tesouro Direto e vai reservar 30% do 13º salário para comprar novos títulos. Ela pretende seguir a dica dos especialistas:

— Vou dividir a aplicação entre os títulos atrelados à Selic e à inflação. O Tesouro Direto deve continuar como meu principal investimento, porque as rentabilidades continuarão atraentes.

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Quando o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu os juros em 19 de outubro — o primeiro corte em quatro anos —, os investidores acreditaram que um ciclo agressivo de redução da Selic havia finalmente começado. No dia seguinte, o banco Santander, por exemplo, previu que os juros cairiam dos 14% em que estavam para 9,5% ao fim de 2017. Os contratos de juros futuros com vencimento em 2021 registraram a mínima de 11,07% naquele dia. Até que, no início de novembro, Trump foi eleito nos Estados Unidos. A percepção de risco cresceu, e os mercados passaram a prever uma alta mais rápida dos juros americanos, o que teria reflexo nos emergentes, como o Brasil.

— Os juros vão ficar altos por mais tempo do que antecipávamos. Muita gente previa que a Selic cairia abaixo de 10% no fim do ano que vem, e agora estão tendo de rever isso. Com isso, a renda fixa vai continuar sendo uma boa oportunidade de investimento — afirma Sandra Blanco, da plataforma digital de investimentos Órama.

Por aqui, os investidores começaram a ver no BC um excesso de conservadorismo. O corte de apenas 0,25 ponto na Selic na reunião de 30 de novembro, para 13,75% ao ano, a despeito da recessão profunda, consolidou essa percepção. Houve ainda aumento de instabilidade política por questões como o caso Geddel Vieira Lima.

Com tudo isso, alguns economistas estimam que a Selic pode terminar o ano que vem ainda em 12%. A projeção do Bank of America Merrill Lynch (BofA) é de 11,25%. Para o banco, a Selic só ficará abaixo dos 10% no fim de 2018. Nas últimas semanas, o mercado financeiro vem pressionando o BC por cortes maiores, devido à recessão.

—Teremos um ciclo mais alongado de redução da Selic. O BC deveria ter começado o ciclo cortando 0,5 ponto percentual (em outubro, a redução foi de 0,25 ponto). Eu já achava que os juros reais (descontando-se a inflação) estavam muito elevados — afirmou David Beker, do BofA.

O mercado viu na ata da última reunião do Copom, divulgada na semana passada, sinais de que o BC vai acelerar o corte para 0,5 ponto a partir de janeiro. Mas Paulo Figueiredo, diretor de Operações da assessoria de investimento FN Capital, não acredita que isso significará uma guinada de cortes ousados:

— O BC vai manter a cautela, esperando dados mais significativos de inflação. Toda essa situação dá, de certa forma, sobrevida à grande vantagem da renda fixa e mantém a atratividade de investimentos atrelados à Selic.

Segundo Figueiredo, com os juros ainda em patamar alto, uma boa opção de curto prazo são as aplicações pós-fixadas que acompanham de perto o CDI (Certificado de Depósito Interbancário) e, portanto, a Selic. Como o Tesouro Selic, título público atrelado à taxa básica, e os fundos DI. Já para quem quer deixar o dinheiro aplicado por alguns anos, Figueiredo cita os prefixados, cuja rentabilidade é determinada no início da aplicação.

— A longo prazo, a tendência continua sendo de queda dos juros. Assim, esses papéis estão oferecendo hoje remuneração mais alta do que devem oferecer daqui para frente — explica. — Logo, seria recomendável aplicar em pós-fixado a curto prazo e pré-fixado a longo prazo.

Paulo Gomes, também vê pós-fixados como melhor aplicação a curtíssimo prazo. Mas o investidor deve saber que tirar o dinheiro após pouco tempo no Tesouro Direto e em fundos de investimento implica alíquota mais alta de Imposto de Renda. Quem saca a aplicação antes de seis meses recolhe 22,5%.

— Hoje, o mais interessante é o pós-fixado. Temos uma Selic de 13,75% ao ano, uma rentabilidade excelente para a inflação que nós temos. Os títulos atrelados à inflação (Tesouro IPCA+, antiga NTN-B) estão pagando na faixa de 0,76% ao mês, enquanto o CDI está em 1,05%. Ou seja, o pós-fixado está pagando mais. Mas essa relação vai mudar a partir do ano que vem, logo, trata-se de uma aposta de curtíssimo prazo — observa.

TESOURO IPCA+, UMA OPÇÃO

Para prazos mais longos, Gomes recomenda o Tesouro IPCA+, que paga a inflação no período mais juros determinados no momento da compra:

— Nos próximos dois anos, a própria redução de juros vai diminuir o juro real do país, valorizando o título que for comprado agora. Com esse processo, o investidor poderá lucrar se sacar o investimento antes, embora isso envolva risco. Isso também acontece com os títulos prefixados, mas o Tesouro IPCA+ tem a vantagem de representar uma proteção para eventual subida do dólar por causa de Trump. Isso porque, quando o dólar sobe, a inflação também tende a subir.

Na sexta-feira, o Tesouro IPCA+ com vencimento em 2019 oferecia juros de 6% ao ano mais inflação; aquele com prazo em 2024, de 6,13%; e o de 2035 pagava 6,08% ao ano.

 

 

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