Com nova Selic, 43% dos fundos perdem da caderneta -Valor Econômico


Com o corte de 0,75 ponto percentual da taxa Selic, para 9,75% ao ano, fundos de investimento DI e de renda fixa – mais conservadores – com taxas de administração acima de 1% ao ano tendem a perder competitividade para a poupança para aplicações de curto prazo, por conta do imposto de renda mais alto. As alíquotas de IR para a renda fixa começam em 22,5% para até 180 dias e chegam a 15% para um horizonte acima de 720 dias.

Isso significa 43% de um universo de 386 fundos DI e de renda fixa disponíveis para aplicação, segundo levantamento da Economatica. No estudo, foram considerados fundos não exclusivos, com mais de cem cotistas e pelo menos 12 meses de operação.

Para investimentos de um ano, o ambiente de competição melhora para os fundos. Carteiras com taxas de administração de 2% ou mais tendem a render menos que a caderneta, o que representa uma fatia menor, de 23,3%, do total de fundos analisados.

Em tese, quanto maior o prazo da aplicação, mais competitivos passam a ser os fundos, já que a alíquota de imposto é decrescente, conforme mostra simulação realizada pelo Valor Data (ver quadro abaixo). No exercício, considerou-se um retorno bruto para os fundos de investimento equivalente à taxa Selic. Já para a poupança, a simulação foi feita com juro fixo de 6,17%, ou seja, desconsiderou-se a variação da TR.

Com a Selic de 10,5% ao ano, que vigorava até então, em tese, ganhavam da poupança fundos com taxa de administração abaixo de 2% ao ano. Para prazos de um ano, segundo a simulação, carteiras com taxa de até 2,5% eram mais competitivas do que a caderneta.

Olhando o histórico de rendimento dos últimos 12 meses, até fevereiro, em que a caderneta de poupança registrou retorno de 7,41%, apenas 15 fundos do universo analisado tiveram retorno menor. Uma das explicações para esse número baixo relativamente à quantidade de fundos com taxa de administração acima de 2,5% (47 fundos no levantamento da Economática), que potencialmente poderiam ter perdido da caderneta, está na diversificação dos ativos em carteira. No ambiente de juro em queda, os gestores de fundos buscam um retorno adicional, acima do CDI (que varia em linha com a Selic), recorrendo a títulos de crédito privado no caso dos DIs e apostas prefixadas e atreladas à inflação no segmento de renda fixa.

A mudança no perfil dos fundos mais conservadores, segundo André Abreu, gerente executivo de renda fixa da BB DTVM, tem sido caminho do setor para minimizar o impacto da queda da Selic nas carteiras. “A indústria já vem se sofisticando, os fundos não vão render só o CDI”, diz.

Aquiles Mosca, estrategista de investimentos pessoais e superintendente executivo comercial do Santander Asset Management, lembra que isso vem acontecendo desde 2009, quando a Selic começou a cair. Foi nesse período que o setor mais cresceu, destaca Mosca, e apoiado em carteiras de renda fixa com crédito privado e de índice de inflação, multimercados, fundos de ações e de capital protegido, que contam com taxas de administração mais altas. “Com as aplicações pós-fixadas rendendo menos de 1% ao mês, aumentou a pressão por diversificação”, diz.

Mosca admite, no entanto, que há uma preocupação do setor de fundos com a perda de competitividade para a poupança. Ele conta que a Anbima, que representa o setor, vem discutindo com o governo alternativas que passam por mudanças nas regras da poupança, como a possibilidade de tributar a aplicação, hoje isenta, ou atrelar sua rentabilidade à Selic.

Na visão da professora Margarida Gutierrez, coordenadora do curso de finanças do Instituto Coppead de Administração da UFRJ, se o governo quiser continuar cortando a Selic, vai ter de mexer na poupança, ou a política monetária terá efeito contrário, encarecendo o custo do crédito. “Se houver migração para a poupança, o banco terá de oferecer mais para captar, o que pode comprometer os mercado de crédito e de capitais”, argumenta. “Também os fundos têm papel importante para dar liquidez ao mercado.”

O superintendente do Santander ressalta, no entanto, que o juro já caiu a 8,75% ao ano em 2009 e não foi verificada saída de recursos dos fundos em direção à poupança. Para André, da BB DTVM, os fundos só vão sentir os efeitos da queda da Selic se ela cair abaixo 9% ao ano e permanecer nesse nível por mais de um ano. Não foi o que ocorreu. E pode ser que isso também não aconteça ainda. O executivo da BB DTVM pondera que a curva de juros futuros já sinaliza uma reversão do ciclo de queda da Selic no ano que vem. Mas ele destaca também que, olhando o longo prazo, a tendência do juro é de queda. “O juro cai, sobe, mas cada vez menos.”

Nesse ambiente de juro baixo, a competição deve se acirrar entre as aplicações, acredita a professora Margarida. “Os fundos vão ter de se mexer e quem oferecer a melhor taxa vai levar os recursos”, diz. Segundo ela, com a estabilidade econômica, inflação controlada e bancarização, os investidores estão mais atentos.

Na avaliação dos gestores, fundos com taxas de 4% a 5% (conforme tabela abaixo) tendem a desaparecer. Eles ressaltam, no entanto, que esses produtos têm propostas diferentes: ou são fundos de aplicação e resgate automático vinculados à conta corrente, ou dão prêmios ou ainda contam com aplicação inicial muito baixa, de R$ 50, R$ 100.

Com o corte de 0,75 ponto percentual da taxa Selic, para 9,75% ao ano, fundos de investimento DI e de renda fixa – mais conservadores – com taxas de administração acima de 1% ao ano tendem a perder competitividade para a poupança para aplicações de curto prazo, por conta do imposto de renda mais alto. As alíquotas de IR para a renda fixa começam em 22,5% para até 180 dias e chegam a 15% para um horizonte acima de 720 dias.

Isso significa 43% de um universo de 386 fundos DI e de renda fixa disponíveis para aplicação, segundo levantamento da Economatica. No estudo, foram considerados fundos não exclusivos, com mais de cem cotistas e pelo menos 12 meses de operação.

Para investimentos de um ano, o ambiente de competição melhora para os fundos. Carteiras com taxas de administração de 2% ou mais tendem a render menos que a caderneta, o que representa uma fatia menor, de 23,3%, do total de fundos analisados.

Em tese, quanto maior o prazo da aplicação, mais competitivos passam a ser os fundos, já que a alíquota de imposto é decrescente, conforme mostra simulação realizada pelo Valor Data (ver quadro abaixo). No exercício, considerou-se um retorno bruto para os fundos de investimento equivalente à taxa Selic. Já para a poupança, a simulação foi feita com juro fixo de 6,17%, ou seja, desconsiderou-se a variação da TR.

Com a Selic de 10,5% ao ano, que vigorava até então, em tese, ganhavam da poupança fundos com taxa de administração abaixo de 2% ao ano. Para prazos de um ano, segundo a simulação, carteiras com taxa de até 2,5% eram mais competitivas do que a caderneta.

Olhando o histórico de rendimento dos últimos 12 meses, até fevereiro, em que a caderneta de poupança registrou retorno de 7,41%, apenas 15 fundos do universo analisado tiveram retorno menor. Uma das explicações para esse número baixo relativamente à quantidade de fundos com taxa de administração acima de 2,5% (47 fundos no levantamento da Economática), que potencialmente poderiam ter perdido da caderneta, está na diversificação dos ativos em carteira. No ambiente de juro em queda, os gestores de fundos buscam um retorno adicional, acima do CDI (que varia em linha com a Selic), recorrendo a títulos de crédito privado no caso dos DIs e apostas prefixadas e atreladas à inflação no segmento de renda fixa.

A mudança no perfil dos fundos mais conservadores, segundo André Abreu, gerente executivo de renda fixa da BB DTVM, tem sido caminho do setor para minimizar o impacto da queda da Selic nas carteiras. “A indústria já vem se sofisticando, os fundos não vão render só o CDI”, diz.

Aquiles Mosca, estrategista de investimentos pessoais e superintendente executivo comercial do Santander Asset Management, lembra que isso vem acontecendo desde 2009, quando a Selic começou a cair. Foi nesse período que o setor mais cresceu, destaca Mosca, e apoiado em carteiras de renda fixa com crédito privado e de índice de inflação, multimercados, fundos de ações e de capital protegido, que contam com taxas de administração mais altas. “Com as aplicações pós-fixadas rendendo menos de 1% ao mês, aumentou a pressão por diversificação”, diz.

Mosca admite, no entanto, que há uma preocupação do setor de fundos com a perda de competitividade para a poupança. Ele conta que a Anbima, que representa o setor, vem discutindo com o governo alternativas que passam por mudanças nas regras da poupança, como a possibilidade de tributar a aplicação, hoje isenta, ou atrelar sua rentabilidade à Selic.

Na visão da professora Margarida Gutierrez, coordenadora do curso de finanças do Instituto Coppead de Administração da UFRJ, se o governo quiser continuar cortando a Selic, vai ter de mexer na poupança, ou a política monetária terá efeito contrário, encarecendo o custo do crédito. “Se houver migração para a poupança, o banco terá de oferecer mais para captar, o que pode comprometer os mercado de crédito e de capitais”, argumenta. “Também os fundos têm papel importante para dar liquidez ao mercado.”

O superintendente do Santander ressalta, no entanto, que o juro já caiu a 8,75% ao ano em 2009 e não foi verificada saída de recursos dos fundos em direção à poupança. Para André, da BB DTVM, os fundos só vão sentir os efeitos da queda da Selic se ela cair abaixo 9% ao ano e permanecer nesse nível por mais de um ano. Não foi o que ocorreu. E pode ser que isso também não aconteça ainda. O executivo da BB DTVM pondera que a curva de juros futuros já sinaliza uma reversão do ciclo de queda da Selic no ano que vem. Mas ele destaca também que, olhando o longo prazo, a tendência do juro é de queda. “O juro cai, sobe, mas cada vez menos.”

Nesse ambiente de juro baixo, a competição deve se acirrar entre as aplicações, acredita a professora Margarida. “Os fundos vão ter de se mexer e quem oferecer a melhor taxa vai levar os recursos”, diz. Segundo ela, com a estabilidade econômica, inflação controlada e bancarização, os investidores estão mais atentos.

Na avaliação dos gestores, fundos com taxas de 4% a 5% (conforme tabela abaixo) tendem a desaparecer. Eles ressaltam, no entanto, que esses produtos têm propostas diferentes: ou são fundos de aplicação e resgate automático vinculados à conta corrente, ou dão prêmios ou ainda contam com aplicação inicial muito baixa, de R$ 50, R$ 100.

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