O Globo Tesouro Direto rende até 16% e cresce na crise 15/01/2012


RIO – Com as fortes perdas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) por causa da crise, o Tesouro Direto foi um dos destinos favoritos das pessoas físicas no ano passado. O programa criado para popularizar os títulos da dívida pública — e que completou dez anos no começo de janeiro — encerrou 2011 com vendas de R$ 3,5 bilhões, um crescimento de 58% em comparação ao ano anterior. O retorno dos títulos variaram de 9,26% a 16,35%, um desempenho até superior aos juros básicos do país, a Selic, hoje em 11% ao ano. Segundo especialistas, o Tesouro Direto vai continuar uma das melhores aplicações neste ano, mesmo com os cortes previstos para os juros brasileiros.

Para quem quer investir no Tesouro Direto, o caminho é abrir uma conta em uma corretora de valores e se informar sobre os títulos públicos que tendem a render mais nos próximos meses. Uma dica é montar a carteira com diferentes tipos de títulos, entre prefixados e pós-fixados, e com variados vencimentos de médio prazo.

Flavio Lemos, diretor da Trader Brasil Escola de Investidores, recomenda uma carteira com 40% de LFT, 10% de LTN e 50% de NTN-B Principal. Neste último caso, a preferência pela NTN-B do tipo Principal é tributário: esse papel não paga os juros semestrais, que sofrem recolhimento de 22,5% de Imposto de Renda (IR).

— Em vez de virar imposto, os juros semestrais continuam rendendo. É uma aplicação melhor — explica Lemos.

O mercado financeiro prevê atualmente a Selic em 9,5% ao fim deste ano, o que implica corte de 1,5 ponto percentual na taxa até dezembro. O primeiro corte deve ocorrer na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que termina nesta quarta-feira. O corte previsto para a reunião é de 0,5 ponto percentual. Já a inflação pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) está projetada em 5,31% ao fim deste ano, segundo as estimativas compiladas pelo boletim Focus, do Banco Central (BC).

Especialista em finanças, o professor Alexandre Espírito Santo, da ESPM, tem uma recomendação um pouco diferente dos colegas de mercado. Ele sugere concentrar as compras em títulos prefixados, as LTN, em vez de diversificar a carteira. Isso porque o professor acredita num corte da Selic para 9% ao fim do ano, maior que a do mercado.

— Quem estiver com esses títulos vai ter um retorno bom — explica o especialista.

Site do programa tem lista de corretoras participantes

Segundo os dados do Tesouro Nacional, 61.716 novos investidores se cadastraram no Tesouro Direto no ano passado, elevando para 276.373 o total de investidores do programa. Isso representa um aumento de quase 30% sobre o ano anterior.

Entre os novos investidores do Tesouro Direto, a economista Bruna Deboni, de 28 anos, comprou títulos públicos prefixados, com vencimento em 2015, acreditando que a taxa básica de juros será cortada.

— Fiquei surpresa pela facilidade de investir e pelos custos menores em comparação a um fundo de investimento oferecido por bancos, que cobra tarifas de 2,5% a 3% — explica Bruna, cliente da Ágora, e que vendeu suas ações em 2011.

O primeiro passo para investir no Tesouro Direto é estar cadastrado em uma corretora. No site do programa (www.tesourodireto.gov.br) há uma listas das corretoras participantes e os custos de operação. As corretoras não cobram taxa de administração para a compra do título, apenas de corretagem (algumas não cobram nem mesmo essa taxa).

Quando vender os títulos ou eles vencerem, o investidor precisa lembrar que vai pagar imposto. Essa tributação é por uma tabela regressiva, que começa em 22,5% dos lucros das aplicações de até 180 dias corridos. Essa alíquota cai para 20% entre 181 e 360 dias, 17,5% para 361 a 720 dias e 15% para investimentos por mais de 720 dias.

Neste ano, o Tesouro Direto deve ganhar novas regras que vão facilitar mais o acesso aos pequenos investidores. O valor mínimo de aplicação vai cair de R$ 100 para R$ 30 e será possível deixar programada a compra e venda dos títulos.

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