Uma das coisas curiosas sobre o mercado de ações é que, a cada compra de uma pessoa, outra vende, e ambas se acham muito espertas. William Feather
Onde Investir em Dezembro de 2025: A Final da Libertadores da Sua Carteira
Amigos, clientes e sobreviventes de mais um ano fiscal,
Bem-vindos a dezembro! Aquele mês mágico onde a produtividade cai pela metade, o consumo de panetone triplica e o mercado financeiro decide se vai nos dar um presente de Natal ou um pedaço de carvão.
Estamos em dezembro de 2025. Se o clima nas ruas ficou tenso com a final da Libertadores entre Flamengo e Palmeiras, na Faria Lima o suor frio não é diferente. O mercado está dividido, apaixonado e gritando na arquibancada. De um lado, o Time da Euforia, empolgado com o rali recente do Ibovespa. Do outro, o Clube da Cautela, lembrando que jogo só acaba quando o juiz apita (ou quando o Banco Central decide).
O “VAR” do Mercado: O Rali Tem Fôlego?
O rali das ações brasileiras, que levou o Ibovespa a acumular alta expressiva de mais de 32% no ano, surpreendeu parte dos gestores locais ainda pouco posicionados e mais cautelosos com o mercado acionário.
Vamos direto ao ponto: o Ibovespa engatou uma sequência de vitórias que faria qualquer técnico invejar. Mas, o rali tem fôlego para seguir, mas vai exigir mais seletividade.
Traduzindo do “economês” para o “boleirês”: acabou a fase de grupos onde qualquer chute torto entrava no gol. Agora é mata-mata. Não dá mais para comprar qualquer ação “perna de pau” achando que ela vai virar o craque do jogo só porque o índice subiu.
O apetite por risco voltou, sim. Por quê? Porque a perspectiva de corte nos juros finalmente saiu do campo das ideias e foi para o aquecimento. E vocês sabem a regra de ouro: Juro cai, Bolsa sobe. É a lei da gravidade financeira. Mas cuidado: assim como numa final entre Flamengo e Palmeiras, o jogo é truncado, nervoso e decidido nos detalhes.
Algumas empresas já anteciparam anúncios de dividendos, e as discussões em torno de outros nomes têm se intensificado. Entre as empresas que já anunciaram distribuições, destacam-se Itaú, Vale, Allos, Marcopolo e Azzas 2154. Dentro da nossa cobertura , R$ 42,2 bi já foram anunciados até o momento. O mercado também tem concentrado atenção em potenciais anúncios de outras companhias.
A Escalação Titular: Onde Colocar a Grana?
Se você quer levantar a taça em 2026, precisa montar um time equilibrado. Nada de jogar com 11 atacantes (100% cripto) ou 11 zagueiros (dinheiro embaixo do colchão).
1. O Ataque (Ações Sensíveis a Juros):
Com a Selic prometendo um regime de dieta, os setores que dependem de crédito barato estão saindo do banco de reservas. O varejo e a construção civil, que apanharam mais que juiz em jogo de várzea nos últimos anos, estão descontados. É hora de olhar para empresas sólidas desses setores. Elas são o seu Gabigol ou o seu Estêvão: podem perder uns gols feitos, mas quando acertam, a torcida vai à loucura.
2. O Meio-Campo (Utilities e Bancos):
Para não sofrer com contra-ataques, mantenha posição em empresas de energia, saneamento e os grandes bancos. Eles são os volantes que carregam o piano. Pagam bons dividendos e garantem que, mesmo se o mercado azedar, pinga algum dinheiro na conta para pagar a cerveja do fim de semana.
3. A Defesa (Renda Fixa):
Não cometa a loucura de sacar tudo da Renda Fixa. O Brasil não é para amadores e a nossa inflação tem mais vidas que um gato. Mantenha os títulos pós fixados e atrelados à inflação (IPCA+) como sua zaga titular. Pense neles como o Gustavo Gómez ou o Léo Pereira: não são os mais emocionantes, mas evitam que você tome uma goleada se o cenário macroeconômico decidir driblar todo mundo.
Perspectivas para 2026: A Pré-Temporada
O que esperar do ano que vem? Se 2025 foi o ano da “reconstrução tática”, 2026 promete ser o ano do jogo ofensivo.
A queda dos juros deve destravar valor na economia real. Isso significa que empresas menores (Small Caps) podem começar a brilhar. Mas, lembre-se da lição do Flamengo x Palmeiras: rivalidade e volatilidade andam juntas.
O cenário externo ainda exige atenção (os EUA continuam sendo o dono da bola no parquinho global), e Brasília… bem, Brasília é aquele gramado esburacado onde a bola quica de jeito estranho.
O Veredito
Neste dezembro, invista como um técnico experiente. Aproveite o otimismo com os juros para aumentar a exposição em Bolsa, mas seja seletivo como um scout europeu procurando talento no Brasil. Não compre o índice inteiro; compre as empresas que sobreviveram à crise e estão prontas para lucrar na bonança.
E, independentemente de quem levou a Libertadores , certifique-se de que a única coisa que vai cair em dezembro seja a taxa de juros, e não o seu patrimônio.
Um abraço, bons investimentos e que venha 2026 (porque 2025 já deu o que tinha que dar)!
Investimentos em 2025








