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Ampliando sua Análise Técnica com Indicadores de Amplitude/Fôlego de Mercado : Desvendando a LAD, McClellan Oscillator & Summation Index (Com Foco na B3)-Parte 2

E aí, fiscal da festa de Bolsa! Beleza?

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Já entendemos na primeira parte  de Ampliando sua Análise Técnica com Indicadores de Amplitude/Fôlego de Mercado que o índice principal, no nosso caso, – o Ibovespa- pode ser um tremendo puxa-saco de algumas poucas ações gigantes, né?

E que os indicadores de amplitude são nossos detetives particulares pra ver se a festa tá bombando de verdade ou se é só fachada.

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Então, bora continuar nossa investigação e conhecer mais alguns desses “dedos-duros” do mercado! Pega mais um cafezinho.

1. A LAD- Linha de Avanços e Declínios (Linha A/D): O Extrato Bancário da Festa!

Imagine que nosso fiscal da festa (o indicador de amplitude) tem um caderninho de anotações super secreto, ou melhor, um extrato bancário da festa. Todo santo dia, ele anota:

  • “Créditos da Festa”: Quantas ações subiram (Avanços).
  • “Débitos da Festa”: Quantas ações caíram (Declínios).

Aí ele faz a conta do dia: Saldo do Dia = Quem Subiu - Quem Caiu.

Linha A/D = Linha A/D (valor anterior) + Saldo do Dia (Avanços Líquidos valor atual) 

A Linha de Avanços e Declínios (Linha A/D) é tipo o saldo acumulado dessa conta da festa, dia após dia.

Os analistas podem usar os Avanços Líquidos para traçar a Linha AD do índice e compará-la com o desempenho do índice atual. A Linha AD deve confirmar um avanço ou uma queda com movimentos semelhantes. Divergências de alta ou baixa na Linha A/D sinalizam uma mudança na participação que pode prenunciar uma reversão.

  • Se todo dia entram mais “créditos” (mais ações sobem) do que “débitos” (ações caem), o saldo da Linha A/D vai subindo, subindo… que nem seu colesterol depois daquele churrasquinho de domingo. Isso mostra que, no geral, a maioria da galera tá animada e participando da alta. Bom sinal!

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  • Agora, se o índice principal (o Ibovespa, por exemplo) tá lá, todo pimpão, subindo, mas a Linha A/D tá de lado ou, pior, caindo… ALERTA VERMELHO! É como se o gerente da festa estivesse sorrindo e dizendo que tá tudo ótimo, mas o caixa (a Linha A/D) estivesse mostrando que tá saindo mais dinheiro do que entrando. Hummm, cheirinho de problema no ar! Isso se chama divergência, e muitas vezes é um sinal de que a alta do índice pode estar com os dias contados, tipo maquiagem em defunto – não sustenta por muito tempo.

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Resumindo: A Linha A/D é um indicador de amplitude que reflete a participação.

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Linha A/D do Ibovespa até 07/05/2025

Um avanço amplo demonstra uma força subjacente que impulsiona a maioria das ações. Isso é otimista. Um avanço estreito demonstra um mercado relativamente misto e seletivo.

A participação estreita em um avanço (ou declínio) configura os sinais de divergência.

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Um avanço com participação estreita dificilmente acompanhará o índice subjacente e uma divergência de baixa se formará. Da mesma forma, um declínio com poucas ações participantes dificilmente acompanhará o índice e uma divergência de alta se formará. Essas divergências podem ajudar os analistas de gráficos a identificar potenciais reversões no índice subjacente.

2. Oscilador McClellan: O Energético (ou Calmante) da Festa da Bolsa!

Agora a coisa fica um pouquinho mais chique, mas relaxa que dá pra entender. Pense no casal Sherman e Marian McClellan, uns gringos espertos que bolaram esse indicador. O filho  deles , Tom McClellan, esteve na Expo Trader Brasil de 2006 em São Paulo. Olha ele de barba na foto.

Jake Bernstein TomMclellan Flavio Lemos Raphael Figueiredo ans audience 2007 ExpotraderBrasil SaoPaulo
Olha o Tom Mclellan-de barba- em São Paulo com Flávio Lemos, Jack Bernstein e Rafi Figueredo.

O Oscilador McClellan é tipo um medidor de velocidade e força das mudanças no “saldo do dia” (Ações que Subiram – Ações que Caíram). Ele não olha só o saldo acumulado (como a Linha A/D), mas sim o quão rápido esse saldo tá mudando.

Imagine que ele pega o “saldo do dia” que vimos acima e calcula duas médias móveis (uma mais rápida e uma mais lenta) desse saldo. Aí ele mostra a diferença entre essas duas médias.

Utilizamos duas MMEs diferentes: uma com uma constante de suavização de 10% e outra com uma constante de suavização de 5%. Essas MMEs são conhecidas como Tendência de 10% e Tendência de 5%, para abreviar, de acordo com a tradição estabelecida pelo falecido P.N. Haurlan, que utilizou as MMEs pela primeira vez para acompanhar o mercado de ações na década de 1960. A diferença numérica entre essas duas MMEs é o valor do Oscilador de McClellan.

O Oscilador de McClellan oferece muitos tipos de estruturas para interpretação, mas existem duas principais. Primeiro, quando o Oscilador é positivo, geralmente retrata a entrada de dinheiro no mercado; inversamente, quando é negativo, reflete a saída de dinheiro do mercado. Segundo, quando o Oscilador atinge leituras extremas, pode refletir uma condição de sobrecompra ou sobrevenda.

Embora essas duas características sejam muito importantes, elas apenas arranham a superfície do que a interpretação do Oscilador pode revelar sobre o mercado de ações. Muitas outras estruturas importantes são descritas no livro Patterns For Profit, de Sherman e Marian McClellan, disponível na McClellan Financial Publications.

Avanços líquidos ajustados por índice (Ratio-Adjusted Net Advances-RANA): (Avanços - Declínios)/(Avanços + Declínios) 
Oscilador McClellan: MME de 19 dias do RANA - MME de 39 dias do RANA MME de 19 dias* =
19-day EMA* = (dia atual RANA - dia anterior EMA) * .10 + dia anterior EMA) 39-day EMA* = (dia atual RANA - dia anterior EMA) * .05 + dia anterior EMA)  * O primeiro cálculo da EMA é uma média simples. image 3 
  • Se o Oscilador McClellan está positivo e subindo, é como se a festa estivesse ganhando energia MUITO RÁPIDO. “Acelera, que o fervo tá aumentando!”
  • Se está negativo e caindo, a energia da festa tá sumindo na velocidade da luz. “Freia, que o desânimo tá se espalhando e o povo tá indo embora!”
  • Níveis Extremos: Se o Oscilador vai lá pra cima (tipo +100, +200), pode ser um sinal de “oba-oba demais”, euforia exagerada, e talvez seja hora de ter cautela (a ressaca pode ser forte!). Se ele despenca pra níveis muito baixos (tipo -100, -200), pode indicar pessimismo exagerado, e talvez surja uma oportunidade de comprar “na bacia das almas”, quando ninguém mais quer.

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Ele basicamente te diz se a maioria das ações está acelerando na subida ou na descida, dando um gás (ou um freio de mão) na tendência da Linha A/D.

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Oscilador McClellan no IBOV com divergencias e thrusts (impulsos)

Impulsos de Amplitude (Breadth Thrusts)

Um impulso de amplitude (breadth thrust) ocorre quando o Oscilador McClellan dispara de leituras profundamente negativas para leituras fortemente positivas. Tipicamente, o indicador se moverá de abaixo de -50 e excederá +50, resultando em um impulso de +100 pontos.

Um impulso de amplitude sinaliza um aumento súbito na amplitude altista (bullish breadth) que pode levar a uma alta prolongada. Nem todos os impulsos de amplitude prenunciam altas prolongadas, mas a maioria dos fundos importantes é marcada por um forte aumento na amplitude. Um impulso de amplitude altista é fortalecido quando precedido por uma divergência altista.Essa alta refletiu uma forte pressão de compra que marcou uma mínima importante.

Pense nisso como um foguete em decolagem. Uma forte alta é necessária para solidificar uma mínima e escapar da gravidade da pressão de venda.

Resumindo:O Oscilador McClellan mede o momentum da Linha AD ou Avanços Líquidos.

Como um oscilador de momentum, ele está sujeito às armadilhas de osciladores de momentum normais, como o MACD.

Divergências de baixa e alta podem produzir ótimos sinais, mas certamente não são infalíveis. O mesmo se aplica a impulsos de amplitude e cruzamentos em território negativo ou positivo. Assim como o MACD, o Oscilador McClellan é um indicador bastante volátil que produz muitos sinais potenciais. Os sinais devem ser confirmados ou refutados com outros indicadores técnicos e análises gráficas. Os analistas de gráficos também podem estudar o comportamento passado para melhor compreender o comportamento futuro.

3. Índice de Somação McClellan (McClellan Summation Index): O Histórico da Festa (ou o Vovô Sábio)!

Se o Oscilador McClellan é o energético do dia, o Índice de Somação McClellan é tipo o “histórico de consumo de energético acumulado” da festa ao longo do tempo. Ou, se preferir, ele é o “vovô sábio” da família McClellan, uma versão mais calma e de longo prazo do Oscilador.

Embora seja chamado de Índice de Soma, o indicador é, na verdade, um oscilador que flutua acima e abaixo da linha zero. Assim, os sinais podem ser derivados de divergências de alta/baixa, movimentos direcionais e cruzamentos de linhas centrais. Uma média móvel também pode ser aplicada para identificar altas e baixas.

Fórmula= Índice de Soma do dia anterior* + Oscilador McClellan do dia atual

* O primeiro Índice de Soma é simplesmente o valor do Oscilador McClellan.

Basicamente, ele vai somando os valores diários do Oscilador McClellan.

  • Se o Índice de Somação está acima de zero e subindo, significa que, no geral e a longo prazo, a “animação interna” da festa (medida pelo Oscilador) tem sido consistentemente positiva. A tendência de longo prazo da saúde interna do mercado é boa.
  • Se está abaixo de zero e caindo, a “bad vibe” interna tem sido a tônica. O pessimismo está se acumulando.
  • Cruzamentos importantes: Quando o Índice de Somação cruza de baixo para cima da linha zero, geralmente é visto como um sinal de melhora mais duradoura na saúde do mercado. O contrário também vale: cruzar para baixo do zero é um alerta de que o “caldo pode ter entornado” de forma mais séria.

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Pense nele como o “score de reputação” da festa ao longo do tempo. Ele ajuda a ver se os picos de energia (ou desânimo) do Oscilador estão se traduzindo numa tendência mais sólida.

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McClellan Summation Index no Ibovespa

Como muitos osciladores de momentum, o Índice de Soma apresenta um viés de alta ou baixa quando está acima ou abaixo de sua linha central (zero). Isso é lógico, pois o copo está meio cheio quando positivo e meio vazio quando negativo. O Índice de Soma será positivo quando o Oscilador McClellan estiver amplamente positivo por um longo período. São necessárias mais de uma leitura positiva/negativa para empurrar o Índice de Soma para território positivo/negativo.

De fato, geralmente são necessárias várias leituras positivas para empurrar o Índice de Soma para território positivo e mantê-lo em território positivo. É por isso que o Índice de Soma é mais adequado para análises de médio ou longo prazo.

Indicadores de Amplitude na B3 e a Caça aos Dados

Amigo(a) fiscal da festa da Bolsa brasileira, agora que você já manja dos paranauês da Linha A/D, do Oscilador McClellan e do Índice de Somação McClellan, surge a pergunta de um milhão de reais : “Beleza, mas dá pra usar essa tralha toda na nossa querida B3? E onde raios eu acho esses dados de ‘quem subiu’ e ‘quem caiu’?”

Excelente pergunta! A resposta curta é: Sim, podemos calcular, mas… prepare a paciência e, talvez, o bolso!

Olha aí os 3 calculados para o ÌNDICE BOVESPA na B3 em 05/05/2025:

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1. Aplicabilidade na B3:

  • Teoricamente, Perfeito: Os conceitos por trás dos indicadores de amplitude são universais. Eles medem a participação interna do mercado, e isso vale para a NYSE, para a NASDAQ, para a bolsa de Tóquio e, claro, para a B3. Se o Ibovespa está subindo, queremos saber se é uma alta disseminada (muitas ações subindo) ou concentrada (poucas gigantes puxando o índice). Portanto, a lógica se aplica lindamente ao nosso mercado.
  • O X da Questão: O “Universo” de Ações: Para que esses indicadores sejam realmente representativos da “amplitude do mercado brasileiro”, o ideal seria calcular os Avanços e Declínios (A/D) com base em um universo amplo de ações negociadas na B3, não apenas as que compõem o Ibovespa (que já é um recorte). Quanto maior e mais diversificado o número de ações na conta, melhor o retrato da saúde interna geral do mercado.

2. As Dificuldades de Conseguir os Dados de Avanços e Declínios (A/D) na B3:

Aqui é onde a porca torce o rabo e a festa pode ficar um pouco menos animada para o investidor pessoa física ou o pequeno analista:

  • Fontes Gratuitas e Fáceis? Raridade: Diferentemente de mercados como o americano, onde dados de A/D para índices como NYSE ou S&P 500 são mais facilmente encontrados em diversas plataformas (muitas vezes até gratuitas, como no TradingView ou Yahoo Finance, embora às vezes com limitações), para a B3 a história é outra.
    • Não é um Dado “Padrão” da B3 para o Varejo: A B3 em si não costuma divulgar publicamente e de forma consolidada e fácil para o varejo um dado diário de “total de ações que subiram vs. total de ações que caíram” abrangendo todo o mercado ou mesmo um índice amplo como o IBrA.
  • Provedores de Dados Pagos: A fonte mais confiável e completa para esses dados geralmente vem de provedores de dados financeiros profissionais, como:
    • Refinitiv (Eikon/Workspace)
    • Bloomberg
    • Economatica
    • Outras plataformas focadas no mercado institucional.
    • Custo: Essas plataformas têm um custo elevado, geralmente inviável para o investidor individual.
  • Calculando por Conta Própria (O Desafio Hércules):
    • Possível, mas Trabalhoso: Teoricamente, você poderia baixar a lista de todas as ações negociadas na B3 (ou de um índice amplo que você queira usar como base, tipo o IBrX 100 ou o IBrA), obter os dados de fechamento diário de cada uma delas e, então, programar um script (em Python, por exemplo) para contar quantas subiram, quantas caíram e quantas ficaram estáveis em relação ao dia anterior.
    • Complexidades:
      • Volume de Dados: É uma quantidade massiva de dados para baixar e processar diariamente.
      • Manutenção da Lista: A lista de ações negociadas muda (IPOs, cancelamentos, etc.).
      • Tratamento de Dados: Lidar com eventos corporativos (splits, grupamentos, dividendos que afetam o preço de fechamento ajustado), dados faltantes, liquidez (contar ações com liquidez irrisória pode distorcer o indicador).
      • Consistência: Garantir a consistência e qualidade dos dados ao longo do tempo é um desafio.
  • Plataformas de Análise Gráfica: Algumas plataformas de análise gráfica pagas disponíveis no Brasil podem oferecer indicadores de amplitude já calculados ou permitir que você crie seus próprios indicadores se tiver acesso aos dados brutos via algum plugin ou API (geralmente com custo adicional). É preciso verificar caso a caso.
    • O ProfitChart, por exemplo, possui ferramentas que podem ajudar a criar indicadores baseados em contagem de ativos, mas a abrangência dos dados A/D “nativos” para todo o mercado pode ser limitada, focando mais nos componentes de um índice específico se você configurar.
    • TradingView: Para o mercado brasileiro, o TradingView pode ter dados de A/D para o IBOVESPA (ex: ADVBRL para a linha A/D do Ibovespa), mas a granularidade do número de Advancers e Decliners diários para todo o mercado B3 pode não estar lá de forma fácil e gratuita para construir os McClellans do zero para um universo mais amplo.

Conclusão Prática:

Enquanto os indicadores de amplitude de mercado são ferramentas analíticas valiosíssimas, sua aplicação direta e robusta para o mercado da B3, especialmente para o investidor individual, é dificultada principalmente pela disponibilidade e custo dos dados de Avanços e Declínios (A/D) diários para um universo amplo de ações.

Muitos analistas brasileiros acabam focando em:

  • Analisar a amplitude dentro do próprio Ibovespa (contando quantos dos seus componentes subiram ou caíram). Isso já dá uma ideia, mas lembre-se que o IBOV é uma cesta limitada e concentrada.
  • Usar proxies ou indicadores alternativos que tentam capturar a saúde interna do mercado de outras formas.
  • Para quem tem acesso, utilizar os dados de plataformas pagas.

Portanto, ao pensar em implementar o Oscilador McClellan ou o Índice de Somação para a B3, o primeiro grande desafio não é a fórmula em si, mas garantir uma fonte de dados A/D diários que seja confiável, consistente e representativa do mercado que você deseja analisar.

Sem isso, o “fiscal da festa” fica meio cego ou olhando só para um cantinho do salão.

E aí, sobreviveu?

Se sua cabeça deu um nó, relaxa! O importante é pegar a ideia principal: esses indicadores são como óculos especiais que te ajudam a ver além do óbvio (o preço do índice). Eles te mostram se a maioria dos “convidados” (as ações) está realmente participando da festa ou se é só uma pequena panelinha fazendo barulho.

Não são bolas de cristal, claro, mas são ferramentas poderosas pra não cair em cilada e entender melhor a verdadeira força (ou fraqueza) do mercado. Agora, quando ouvir esses nomes esquisitos, você já pode dar uma de entendido e dizer: “Ah, sei, é pra ver se a festa da Bolsa é de verdade ou só fogo de palha!” 😉

Com certeza! Vamos adicionar esses comentários cruciais sobre a aplicação desses indicadores de amplitude de mercado (Market Breadth) especificamente para a B3 e os desafios de obter os dados necessários. Este é um ponto muito importante e prático…

Se gostou compartilhe e Aguarde a continuação da Parte 3!

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