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6 estratégias para fazer o seu dinheiro trabalhar para você

Com o avanço da tecnologia, o surgimento de fintechs e novas corretoras, os brasileiros buscam investimentos e aplicações mais rentáveis do que a poupança

Oi, meu nome é Bettina, tenho 22 anos e 1 milhão e 42 000 reais de patrimônio acumulado. O que fiz não é segredo. Comprei ações na bolsa de valores. Comecei com 19 anos e 1 520 reais. Simples assim.” A frase, veiculada em março num vídeo publicitário da Empiricus, empresa de relatórios financeiros, viralizou.

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No Twitter, o economista Samy Dana, professor na Fundação Getulio Vargas (FGV), rebateu: “Reflitam, se for verdade que: a) a menina de 22 anos transformou 1 520 reais em 1 042 000 reais (ou seja, multiplicou seu patrimônio por 685,53) e b) seja possível replicar a estratégia dela.

Daqui a 15 anos, nossa heroína terá 37 anos de idade e um patrimônio de 157 quintilhões de reais: 2 milhões de vezes o PIB americano de 2018 e 316 milhões de vezes a fortuna de Jeff Bezos, o homem mais rico do mundo, segundo a Forbes”.

O vídeo foi visto por mais de 15 milhões de internautas, Bettina Rudolph virou meme, estampou manchetes de portais e precisou ir a público se explicar.

O interesse do carioca Alan Soares, de 37 anos, SÓCIO DA TRADER BRASIL ESCOLA DE FINANÇAS & NEGÓCIOS, em ganhar dinheiro no mercado financeiro começou em 2002, quando fazia faculdade de gestão e marketing.

Hoje, como investidor profissional, metade de suas aplicações está em renda fixa (70% em Tesouro Direto e 30% em CDBs) e a outra metade em variável (ações, fundos de investimento, ETFs). De lá para cá, seus rendimentos engordaram bastante.

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ALAN SOARES NA TRADER BRASIL SÃO PAULO

Ele não revela valores, mas diz dedicar 5 horas do dia em frente a duas telas de computador acompanhando as movimentações do mercado. “Faço uma mistura de análises. Vejo os setores da economia que estão bem no momento, analiso projeções dos juros e verifico minuciosamente quais companhias estão crescendo.

Aplicação não é videogame.” Em 2017, Alan decidiu compartilhar seu conhecimento e fundou o movimento Black Money — projeto que visa empoderar jovens negros financeiramente e incentivar a circulação do dinheiro dentro da própria comunidade. seu recado para quem deseja ser mais arrojado é: o sucesso não vem sem esforço.

“Não há pote de ouro atrás do arco-íris. Não tem mágica. Uma operação que dá certo é resultado de muito tempo de análise.”

De youtubers de finanças, como Nathália Arcuri (do canal Me Poupe, com 3,5 milhões de seguidores) e Thiago Nigro (de O Primo Rico, com 2 milhões), a corretoras independentes; de aplicativos que comparam rentabilidade a robôs que investem por nós, está em curso uma democratização sem precedentes.

“Antes, as classes média e baixa não tinham acesso ao mercado financeiro. Parecia um mundo exclusivo. Com essas ferramentas, o hábito de investir se popularizou”, afirma Gilvan Bueno, especialista em finanças e CFO do banco Maré.

É verdade. Os números mostram que as pessoas estão mais dispostas a diversificar a aplicação de seu dinheiro. Nos últimos cinco anos, a despeito da recessão, diversas modalidades cresceram de tamanho.

O volume de pessoas físicas na bolsa de valores, por exemplo, pulou de 564 116, em 2014, para 813 291, no ano passado — um aumento de 44%. No Tesouro Direto o salto foi maior: de 450 000 investidores cadastrados em 2014 para 3 milhões em 2018.

Mas, ao contrário do que esses dados fazem supor, o conservadorismo segue alto. A poupança ainda é a primeira opção para 69% dos brasileiros, segundo um estudo de 2018 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Dois em cada dez indivíduos deixam dinheiro parado na conta-corrente ou, pior, guardado em casa.

Apenas 5% dos investidores operam na bolsa de valores. Em países desenvolvidos, como os Estados Unidos, mais de 50% da população investe em ações. Ajuda, claro, o fato de que os juros por lá estão próximos a zero. Um cenário bem diferente do nosso, mas que está mudando.

“No Brasil, temos uma taxa de juro de 6,5% ao ano. Antigamente, era de 14%. Por que arriscar se você tinha rentabilidade garantida na renda fixa?”, questiona Felipe Paiva, diretor de relacionamentos com os clientes da B3, bolsa de valores oficial do Brasil, com sede em São Paulo. De acordo com ele, os juros baixos vêm tornando a poupança cada vez menos atrativa.

Há também outro fator a considerar na transformação de comportamento do investidor brasileiro: a reforma da Previdência.

O tema ronda o país desde o governo Michel Temer (MDB) e tornou-se uma das principais bandeiras de Jair Bolsonaro (PSL) e Paulo Guedes, ministro da Economia.

“As pessoas estão começando a se conscientizar que se apoiar só na Previdência não será suficiente”, afirma ­Michael Viriato, coordenador do laboratório de finanças do Insper.

Além de mexer com a aposentadoria dos cidadãos no futuro, a reforma se reflete no presente. Com 120 dias de atuação, não está claro que rumo o governo dará à economia. E, enquanto a retomada não deslancha, fica difícil tomar decisões claras.

O perigo, para o investidor comum, é ficar desorientado em meio a tantas informações. “Uma coisa é um jovem de 25 anos que perde tudo e tem uma vida toda pela frente para recuperar; outra é alguém na faixa dos 60 que parte para uma aplicação arrojada e arca com o prejuízo”, diz Ricardo Teixeira, coordenador do MBA em gestão financeira da FGV.

A seguir, listamos seis maneiras de aproveitar a popularização dos investimentos, driblando as incertezas econômicas.

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