Ações Baratas, mas tendencia de baixa – O GLOBO 21-05-2012


RIO — Quem viu na queda do mercado, na semana passada, uma boa oportunidade para comprar ações por um preço mais barato precisa tomar cuidado. O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, pode continuar ladeira abaixo nos próximos meses. Segundo analistas técnicos, que usam gráficos para avaliar as tendências da Bolsa, a tendência é de baixa em curto, médio e longo prazos. Na sexta-feira passada, o Ibovespa fechou aos 54.513 pontos e acumulou uma queda semanal de 8,30%, o pior desempenho em dez meses. Se fechar abaixo dos 52.600 pontos nos próximos dias, o índice pode escorregar aos 47.800 e, depois, rumo aos 35 mil pontos.
Segundo Fernando Góes, analista da Octo Investimentos, o Ibovespa pode passar por uma breve recuperação esta semana, após o gráfico do mercado mostrar sinais de “repique” na sexta-feira passada. Nada que mude, porém, a tendência de curto prazo, que pode durar por três semanas.
— Não recomendaria aos investidores comprarem ações por causa de um repique. O momento é de cautela. A Bolsa está volátil, com fortes movimentos de preços — acrescenta Góes.
Para chegar a essas conclusões, os analistas gráficos seguem uma premissa: os fatores que fazem uma ação subir ou cair estão refletidos nas próprias cotações. Eles olham, portanto, os históricos de preços em gráficos, além dos volumes de negócios, para identificar os rumos que ações e índices vão tomar. E buscam imagens nos gráficos, que recebem nomes curiosos como “estrela cadente”, “martelo invertido” e “bebê abandonado”.

Segundo Flavio Lemos, diretor da Trader Brasil Escola de Investidores, os pequenos investidores devem, preferencialmente, usar as duas metodologias para tomar decisões. — A análise fundamentalista vai dizer, em suma, o que é bom para comprar, com boas perspectivas. A análise gráfica vai dizer o preço adequado e o momento oportuno para isso — acrescenta Lemos, autor do livro “Analise Técnica Clássica” (Editora Saraiva).


Bolsa vai ganhar tendência de alta acima dos 60 mil
Segundo Didi Aguiar, analista técnico da Icap Corretora, a tendência de alta do Ibovespa, iniciada em agosto do ano passado, chegou ao fim em 29 de março deste ano. Naquele pregão, o índice fechou em queda de 0,32%, aos 64.871 pontos. Para a frente, o Ibovespa encontrou um suporte — patamar no qual investidores consideram os preços baratos e voltam a comprar, provocando a recuperação das ações — aos 54.500 pontos, que foi o fundo do poço da Bolsa em novembro do ano passado.
— Se perder essa área, o índice volta aos 50 mil pontos. E as chances de isso acontecer são atualmente grandes — afirma Didi, reconhecido no mercado pela metodologia de análise chamada “agulhadas”, baseada no estudo de médias móveis aritméticas. — Quem não tem estômago para investir vendido (apostar na queda da Bolsa), o melhor é sair agora para não ficar engessado.
O Ibovespa chegou a acumular ganhos de 20,5% neste ano, em meados de março, com pesadas compras de estrangeiros. Mas essa tendência mudou. O índice acumula atualmente uma perda de 3,95% no ano. Somente em maio, o tombo até aqui foi de 11,82%.
Segundo Didi Aguiar, as chances de uma mudança na tendência de queda do mercado brasileiro, a médio e longo prazos, dependeria de o Ibovespa conseguir superar os 60 mil pontos. Nesse cenário, ele explica, o mercado poderia deslanchar até 66 mil pontos e, em seguida, rumo aos 70 mil pontos. Mas é pouco provável, por enquanto, que isso efetivamente ocorra.
Uma carta na manga do mercado seria a Bolsa de Xangai romper a barreira dos 2.450 pontos nos próximos sete dias. Ela está atualmente aos 2.378 pontos. Se isso ocorrer, surge no gráfico da Bolsa de Xangai a figura de um “ombro, cabeça e ombro invertido”, como chamam os analistas gráficos. Isso significaria um movimento importante na recuperação.
Márcio Noronha, analista técnico da Gradual Investimentos, afirma, contudo, que existem sinais no fluxo de investidores do mercado que também indica queda.
— Eu gostaria de estar otimista, mas tudo aponta para baixo. Há outros sinais, como estrangeiros vendendo ações e as pessoas físicas comprando. As pessoas acham que o papel está barato e compram. Mas o preço continua em queda. Ela acaba vendendo de volta ao investidor estrangeiro, mais barato. É quando o mercado costuma voltar a subir novamente — diz Noronha.
Vale e Petrobras em tendência de queda
Por se basear nos preços de ações e volumes de negócios, a análise gráfica não considera, por exemplo, ciclos econômicos e lucratividade das empresas ao recomendar compra ou venda de determinado papel. Por isso, a metodologia se contrapõe à chamada análise fundamentalista, que avalia os resultados das empresas e dados macroeconômicos.
Estrelas da Bovespa, Petrobras e Vale têm gerado pouco otimismo. Segundo os analistas gráficos, os papéis seguem o Ibovespa de perto e têm tendência de queda nos três cenários: de curto, médio e longo prazos.

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