Fundos de ações da Petrobras sobem até 18% O Globo 30 janeiro 2012


Retorno de investidores estrangeiros à Bolsa e troca de comando na estatal quebram inferno astral de dois anos

O retorno dos investidores estrangeiros ao mercado brasileiro neste começo de ano provocou o que poucos profissionais da Bolsa imaginavam ser possível: uma escalada de 18% nos preços das ações da Petrobras, após um inferno astral de quase dois anos. E com a valorização, os cotistas de fundos de investimento dedicados aos papéis da estatal recuperaram em três semanas boa parte das perdas de 2011. Para analistas, o fôlego da Petrobras ainda não teria terminado na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), mas alertam que nada garante novas altas com as incertezas da crise europeia.

Os fundos de investimentos em Petrobras – não confundir com fundos FGTS/Petrobras, atualmente fechados para novos investidores – são oferecidos pelos principais bancos. São fundos que mantêm cerca de 90% do patrimônio em ações da empresa. Por isso, acompanham de perto o desempenho do papel na Bolsa. E com a alta, o retorno foi grande em janeiro em fundos oferecidos por Banco do Brasil (18,28%), Bradesco (16,76%), Caixa (18,82%), Itaú Unibanco (18,78%), HSBC (16,80%) e Santander (18,25%).

Valor de mercado tem
2ª maior alta global: US$38 bi

Além das pesadas compras de ações por investidores estrangeiros, que somam R$5,4 bilhões na Bolsa em 2012, a troca de comando da Petrobras contribuiu para a alta. O presidente da companhia, José Sergio Gabrielli, vai deixar o posto e dar lugar a Maria das Graças Foster, atual diretora de Gás e Energia. Segundo analistas, o perfil mais técnico de Graça trouxe mais confiança para o futuro da empresa.

– Executivos com perfil técnico e aumento de produção (de petróleo) conversam bem, são termos a fim – avalia Rogerio Zarpao, analista sênior de commodities da J. Safra Corretora, que tem recomendação de compra de Petrobras.

Com a notícia, o valor de mercado da Petrobras avançou US$38 bilhões no mês até agora. É a segunda maior alta do mundo, atrás apenas da Apple, que subiu US$39 bilhões. O resultado recupera parte das perdas de US$72 bilhões do papel no ano passado, que foi a segunda maior do mundo.

As equipes de análise das corretoras apostam que o papel pode chegar a R$30 nos próximos 12 meses, o que significa espaço para avanço de 20%. E os fundos de ações devem acompanhar isso. Essa valorização, no entanto, vai depender de uma série de fatores, como a evolução da crise europeia e os próprios resultados da Petrobras.

– Nós achamos que pode ter algum movimento de venda de ações da Petrobras nas próximas semanas, com investidores embolsando ganhos – explica Rafael Andreata, analista de investimentos da corretora Planner. – Mas mantemos nossa recomendação de compra porque acreditamos que o preço do barril de petróleo vai continuar em patamares elevados, na média de US$80 nos próximos sete anos

Investir via fundos pode ser mais atraente até R$5 mil

Segundo Ricardo Correa, analista da Ativa Corretora, a Petrobras é uma porta de entrada de investidores na Bolsa brasileira, inclusive para estrangeiros. E com o deslocamento de recursos de países europeus para emergentes, como o Brasil, pode haver espaço para mais valorização da estatal.

O investidor Alan da Silva Soares tem cotas de um fundo de ações da Petrobras, adquiridas originalmente por seu pai em 2004. Segundo ele, o fundo mantém 95% do patrimônio aplicado nas ações da companhia e outros 5% em títulos públicos federais, para facilitar os eventuais resgates de cotas dos investidores.

– Como temos o fundo há muito tempo, o balanço segue bastante favorável. Mas o dinheiro novo para aplicações não é destinado a esse fundo por causa da taxa de administração e do come-cotas, que fica com parte do retorno. Só não vendo as cotas para comprar ações diretamente na Bolsa por causa do custo dessa troca – avalia Soares.

Segundo cálculos de Flavio Lemos, diretor da Trader Brasil Escola de Investidores, as aplicações na Petrobras via fundos podem ser mais vantajosas até R$5 mil. Considerando uma alta de 20% no preço das ações, quem aplicou R$1 mil nas ações via fundos de investimento registrou um ganho líquido de R$167, valor que já desconta a taxa de administração. Com os mesmos R$1 mil, via uma corretora, o ganho teria sido de R$60, considerando corretagem, emolumentos e custódia.

– Só é preciso tomar cuidado porque os fundos também pagam essas taxas quando compram as ações, o que pode refletir indiretamente na rentabilidade. É preciso procurar, portanto, fundos com taxa de administração bem atraentes – explica Lemos.

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