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"O mercado é um pêndulo que sempre oscila entre otimismo insustentável e pessimismo injustificado." — Benjamin Graham. 

 Onde Investir em Setembro: A Bolsa Bateu Recorde, e Agora?

 

Prezado leitor,

Agosto foi um mês para o investidor brasileiro sorrir. Depois de um período de volatilidade, vimos a bolsa não apenas decolar, mas quebrar recordes históricos, com o otimismo finalmente ganhando tração. Mas como diz o ditado no mercado, lucros passados não garantem lucros futuros.

Setembro chega com uma pergunta no ar: a festa vai continuar?

A resposta curta é: sim, há muitos motivos para estar otimista. A resposta completa é: o cenário exige inteligência, estratégia e um olho no Brasil e outro no que acontece lá fora. Vamos desvendar o mapa do tesouro para os seus investimentos neste mês.

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ArenaTrader 223

O Campeão Scherman e a Física do Mercado

No evento Expert XP, além das valiosas lições de John Bollinger, também teve Ivan Scherman, o campeão mundial de trading, revelando seu segredo por trás de sua rentabilidade de 493% em apenas um ano. Em resposta à pergunta de Flávio Lemos, Ivan usou uma analogia perfeita: “Imagine um cirurgião que opera apenas com base em dados precisos e validados, e não por instinto. Essa é a essência de minha empresa, a SciTech Investments”. Ele explicou que sua empresa atua somente diante de padrões estatisticamente validados, e quando um padrão falha, a gestão de risco rigorosa, uma marca de sua metodologia, entra em ação para proteger o capital.

Ivan também compartilhou a interpretação única de sua empresa sobre o “momentum”. Enquanto a maioria dos traders o vê de forma linear, a SciTech o modela com a precisão da física e da engenharia mecânica, medindo a velocidade, aceleração e trajetória dos preços para decidir a direção de uma operação. É a ciência aplicada de forma brilhante para decifrar os movimentos mais complexos do mercado.

A Lição do Músico e o Chamado para a Disciplina

Flávio -que é um trombonista amador- então enfatizou a importância da leitura de mercado e da resiliência, comparando: “Ler um gráfico é como ler uma partitura musical, as notas, a melodia e o ritmo mostram padrões que se repetem ao longo do tempo. Se você é um analfabeto musical, você não lê, não entende nem escuta as diversas notas, semínimas, colcheias e nem seu andamento em allegro com pausas. Um músico, porém, consegue ler, encontrar padrões, escutar e ainda cantarolar uma partitura. A leitura gráfica é um processo similar. O analista bem treinado consegue visualizar e antecipar os movimentos do mercado para prontamente dar resposta à oscilação. Por algumas vezes, o analista “escuta” o mercado gritar que vai cair ou subir através de padrões que se repetem. Tenha paciência e treine bastante, não se preocupe se demorar um pouco para ler as informações com precisão.” Bollinger concordou, achando a analogia genial.

O painel foi uma verdadeira aula de insights, experiência e bom humor, deixando a todos inspirados e com a certeza de que a análise técnica — e qualquer outra abordagem analítica — é uma jornada de aprendizado contínuo, disciplina e, claro, um pouco de música.

ArenaTrader 216

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Retrospectiva de Agosto: O Mês da Euforia na B3

Primeiro, vamos celebrar os feitos de agosto. O mês foi simplesmente espetacular para a renda variável no Brasil.

O Ibovespa, nosso principal termômetro do mercado, não só subiu impressionantes 6,54%, como também atingiu a sua máxima histórica, cravando 141.422 pontos.

Mas o grande campeão do pódio foi o IDIV, o índice das empresas que são boas pagadoras de dividendos, que liderou com uma alta de 6,69%. Isso mostra que o mercado buscou não apenas crescimento, mas também qualidade e resiliência.

 

Cenário Brasileiro: O Copo Meio Cheio (e com Sede de Juros Menores)

O motor por trás desse otimismo tem nome e sobrenome: inflação controlada. Os dados recentes vieram melhores que o esperado, um alívio para o bolso do consumidor e um sinal verde para o Banco Central. O comportamento favorável do câmbio, com a desvalorização global do dólar, ajudou (e muito!) a segurar os preços.

Ao mesmo tempo, vemos a atividade econômica perdendo fôlego gradualmente, exatamente como o BC planejava. O consumo das famílias, a produção industrial e a confiança do empresário mostram que o longo período de juros altos está finalmente fazendo seu trabalho de esfriar a demanda.

O que isso significa na prática? Significa que o Banco Central tem o cenário perfeito para continuar cortando a taxa Selic. E aqui mora o “pulo do gato”: se o Federal Reserve, o banco central americano, também começar a cortar juros, o nosso BC pode ter espaço para ser ainda mais ousado nos cortes. Juros mais baixos significam crédito mais barato, empresas investindo mais e, claro, um forte atrativo para a Bolsa de Valores.

 

O Gigante Americano e Seus Sinais Trocados

Enquanto o Brasil parece ter um caminho mais claro, os Estados Unidos vivem um verdadeiro dilema que pode impactar o mundo todo.

De um lado, a inflação por lá continua resistente, ainda acima da meta. De outro, o mercado de trabalho, que parecia uma fortaleza, deu sinais de fraqueza. O relatório de emprego (payroll) passou por uma forte revisão, mostrando que a realidade já não era tão robusta quanto se pensava.

Essa sinuca de bico para o Federal Reserve (Fed) nos leva a crer que, na hora de decidir, o foco será em evitar uma recessão mais forte. Por isso, o mercado já aposta em cortes de juros para o final de 2025 e início de 2026.

Contudo, não subestime a resiliência da economia americana. As bolsas por lá renovam suas máximas, e um grande pacote de estímulo fiscal, apelidado de “one big beautiful bill”, está para entrar na economia nos próximos meses. É um cenário complexo, de sinais mistos, que exige cautela.

 

O Risco no Radar: A Disputa Trump x Brasil

Nenhum cenário está livre de riscos. A possível volta de Trump e sua retórica comercial contra o Brasil é um ponto de atenção. Nossa preocupação não é tanto com o aumento de tarifas, que teriam impacto limitado, mas sim com a possibilidade de sanções a bancos ou medidas que afetem o apetite do investidor estrangeiro pelo Brasil. É um fator para se ter no radar.

 

Estratégias de Investimento para Setembro: Onde Alocar seu Dinheiro?

Ok, depois de analisar todo o quebra-cabeça, vamos ao que interessa: como montar sua carteira para setembro?

1. Renda Variável (Bolsa de Valores): O Otimismo Continua

O cenário de juros em queda no Brasil é música para os ouvidos da Bolsa.

  • Ações de Crescimento: Fique de olho em setores sensíveis aos juros, como varejo, construção civil e shoppings. Com o crédito mais barato, essas empresas tendem a se beneficiar diretamente.
  • Ações de Dividendos (IDIV): Como vimos em agosto, elas brilharam. Empresas sólidas, de setores resilientes como elétrico e bancos, continuam sendo uma excelente opção para quem busca mais segurança e um fluxo de renda passiva.

2. Renda Fixa: Inteligência para Garantir Bons Retornos

A era dos ganhos estratosféricos na renda fixa está se moderando, mas ela ainda é fundamental.

  • Títulos Pós-Fixados (Tesouro Selic / CDBs de 100% do CDI): Continuam sendo a melhor opção para sua reserva de emergência. A liquidez é imediata e a segurança é máxima.
  • Títulos de Inflação (Tesouro IPCA+): Com a queda dos juros, proteger seu poder de compra se torna crucial. Esses títulos te garantem um ganho real (acima da inflação) e são perfeitos para objetivos de médio e longo prazo, como a aposentadoria.

3. Dólar e Investimentos Internacionais: A Peça da Diversificação

O dólar vem perdendo força globalmente, o que pode tirar um pouco de seu apelo no curto prazo. No entanto, ignorar a moeda mais forte do mundo é um erro.

  • Diversificação é Lei: Ter uma parte da sua carteira em ativos internacionais (seja via ETFs como o GOLD11, IVVB11 ou diretamente no exterior) não é uma aposta, é uma proteção. Diante de riscos políticos como o “fator Trump”, essa parcela da carteira pode ser o seu porto seguro.

Conclusão

Setembro se desenha como um mês para manter o otimismo no cenário doméstico, mas com os pés no chão e atento aos sinais vindos do exterior. A queda da Selic deve continuar sendo o principal motor para os ativos de risco no Brasil.

A palavra de ordem, mais uma vez, será diversificação. Um portfólio bem equilibrado entre a Bolsa brasileira, uma renda fixa inteligente e uma proteção internacional é a melhor estratégia para surfar as oportunidades sem ser pego de surpresa pelas turbulências.

 

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