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“Ter ações é como ter crianças, não se envolva com mais do que você consegue lidar.” Peter Lynch

“No mercado de ações, o órgão mais importante é o estômago. Não o cérebro.”Peter Lynch

 

Onde investir em agosto 2022

Prezado leitor,

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Parodiando uma das frases mais famosas de Peter Lynch, o mercado em julho testou o estômago mais uma vez dos investidores em ativos de risco como bolsa de valores e criptomoedas.

O desempenho da bolsa brasileira em julho foi positivo +4,69%  mas só foi conquistado apenas na segunda quinzena, revertendo a tendência negativa vinda de um desastroso mês de junho – o pior resultado mensal desde o início da pandemia, em março de 2020.

O que faz preço no longo prazo é valor. Mas no curto prazo, liquidez e fluxo mandam.

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Histórias de Mercado

Peter Lynch foi um dos investidores com maior sucesso em todos os tempos. Muito se deve ao seu período como gerente do Fidelity Magellan Fund, onde sob sua liderança o fundo de investimentos tornou-se um dos primeiros do mundo no segmento.

O jovem Peter Lynch começou como um simples carregador de tacos em um clube de golfe na cidade onde nasceu, que ficava próximo a Boston. O clube era frequentado por executivos, e assim, Lynch passou a ter mais contato com o mercado de ações, por conversas que ele ouvia dessas pessoas.

Após escutar mais uma destas conversas, ele usou suas economias pessoais para comprar 100 ações da Flying Tiger Airlines. Na época por 8 dólares cada e na época acontecia a Guerra do Vietnã, ocosaionando o aumento do transporte de tropas para o local dos conflitos, o que fez com as ações que ele havia comprado na companhia aérea se valorizassem fortemente. Algum tempo mais tarde cada ação tinha 80 dólares. O sucesso nesse aporte fez com que ele se interessasse ainda mais por investir..

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E o cenário atual?

De forma geral, o que aconteceu foi que o mercado global, mais avesso ao risco frente ao cenário de aumento nos juros, começou a precificar uma recessão. Em um cenário de desaceleração econômica diminui a demanda por materiais, consequentemente o preço das commodities acalmaram um pouco. Dado o fechamento da curva de juros (queda dos juros  nos EUA), o mercado mostrou momentaneamente maior apetite para ativos de risco, sobretudo aqueles de maior duration – caso das empresas de crescimento, especialmente tecnologia.

A precificação de uma recessão abriu espaço para que os juros futuros dessem uma aliviada e permitiu que as empresas que estavam performando muito mal conseguissem respirar. As taxas de juros americanas de longo prazo de dez anos, que chegaram a bater 3,5%, caíram para 2,67%. Isso pressionou bastante as empresas de crescimento, mas fez as empresas de commodities caírem com a perspectiva de uma demanda menor daqui para frente.

Entendemos que a desaceleração global deve continuar sendo um vento contrário para o fluxo para a classe de ativo, limitando recuperações expressivas no curto prazo.Por sua vez, apesar de balanço de oferta e demanda ainda favorável para o preço das commodities, sobretudo por conta da reabertura de China, entendemos que há maior volatilidade à frente, equilibrando a relação de risco e retorno dado o nível de preço.

Do lado macro, ainda vemos uma desaceleração da economia americana, que em nossa visão não esteve em recessão no primeiro semestre, tanto pela força da demanda doméstica, quanto pelo nível de aperto do mercado de trabalho. Continuamos vendo grande volatilidade no cenário percebido pelos mercados.

O pêndulo entre recessão e inflação segue, e a tendência é que continue à medida que continuarmos vendo persistência na inflação de serviços. Vale a ressalva, porém, que nas últimas semanas vimos pelo menos uma boa notícia no front inflacionário: a perspectiva de melhora da inflação de bens, com o avanço no processo de normalização de cadeias produtivas (indicadores de tempo de entrega em queda etc.), e queda do preço de commodities.

E o Brasil nisso?

No Brasil, o crescimento continua surpreendendo, o que é positivo para ativos mais ligados à economia doméstica, mas vem acompanhado de uma dor usual:
um processo inflacionário mais persistente e, por consequência, uma política monetária mais apertada.Ressaltamos que a dinâmica inflacionária corrente, forte recuperação
do mercado de trabalho e a possiblidade de novos estímulos fiscais representam riscos altistas para o nosso cenário.

Pelo calendário oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a campanha eleitoral começa oficialmente em agosto mas a discussão sobre o futuro da âncora fiscal brasileira – o teto dos gastos – já ganhou intensidade, sobretudo com propostas de flexibilização da regra. Essa mudança, em especial, tornará o cumprimento do teto em 2023 bastante desafiador – reforçando a percepção que algum grau de alteração da regra será necessário, independente do resultado do pleito eleitoral. Esse risco motivou uma abertura da curva de juros brasileira real, sensível ao risco fiscal, mesmo em um ambiente de fechamento da curva de juro americana.

Renda fixa no Brasil

Historicamente, as taxas de juros de mercado costumam ser mais elevadas do que as projeções de economistas em momentos de maior incerteza, devido ao acréscimo de prêmio de risco ou possibilidade de cenário pior que o esperado. E como pudemos visualizar nos gráficos abaixo, há grande diferença nas expectativas de mercado para o juro brasileiro nos próximos meses se comparadas às medianas das projeções do Boletim Focus.

O fato é que sempre que as expectativas de juros – ou inflação – refletidas nos preços de mercado se descolam de forma significativa das projeções dos economistas, surge a possibilidade de se encontrar ganhos potencializados na renda fixa. Enquanto o mercado oferece atualmente a oportunidade de aplicar em títulos com taxa de juros acima 13% ao ano até o fim de 2023, as projeções do Boletim Focus sugerem um nível de taxa abaixo de 11% ao ano.

As taxas futuras estão muito acima das projeções de economistas: Apesar do cenário desafiador de inflação persistente e o temor crescente de recessão global, os preços oferecidos no mercado parecem estar cada vez mais descolados das projeções econômicas de juros nos próximos anos. Historicamente, taxas prefixadas acima de 12% a.a. como as atuais não se sustentam por muito tempo e as estimativas da Selic no Boletim Focus já estão abaixo de 10% a partir de 2024. É possível, mas improvável, que as taxas prefixadas continuem subindo indefinidamente no segundo semestre de 2022.

O fim do ciclo de alta da Selic pode beneficiar as aplicações prefixadas: Estamos nos aproximando cada vez mais do fim do ciclo de alta da taxa de juros no Brasil pelo Banco Central. Não existe um consenso de quando será o fim do aperto monetário, mas o mercado espera um nível de Selic estável entre 13,75% e 14,50% no começo do próximo ano. Nos últimos vinte anos, a aplicação em títulos prefixados dentro de um intervalo de estabilidade da Selic anterior a um ciclo de queda gerou retornos consideravelmente acima do CDI (mais de 150%) em um horizonte de dois anos à frente. Observar o comportamento de desinflação nos próximos meses será importante para essa tese de investimentos.

Reforçamos que a curva de juros tem pouca inclinação para aproveitar oportunidades em vencimentos muito mais longos e, como não temos expectativa de uma consolidação de tendência de fechamento de taxa nos próximos meses, seguimos preferindo as alocações no meio da curva (belly), com taxas igualmente atrativas e com uma volatilidade mais elevada do que tínhamos no início do ano, mas em nível adequada para o momento atual.

A Bolsa de valores no Brasil

O Brasil continua com um desempenho superior relativo aos mercados globais em grande parte por conta dos níveis de valuation ainda bastante atrativos.

Atualmente, o Preço/Lucro (P/L) projetado do Ibovespa se encontra em 6,1x, um desconto de -45% em relação à média dos últimos 15 anos em 11,2x. Mesmo quando retiramos as empresas de Commodities, ou somente a Petrobras e Vale, o P/L vai para 9,8x e 9,0x, respectivamente – ambos menores do que suas próprias médias históricas. E quebrando o Ibovespa setorialmente, vemos que todos os setores no Brasil estão com seus múltiplos negociados abaixo ou próximos às médias de longo prazo.

Em relação a Renda Fixa, as ações brasileiras também continuam mais atrativas. O Prêmio de Risco, que compara rendimento de renda variável com as taxas de juros reais, mostra que as ações brasileiras estão baratas mesmo considerando o alto nível das taxas de juros locais. O nível atual de Prêmio de Risco está em 10,1%, superior à média histórica de 4,9%.

Veja os Investimentos em julho de 2022:

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Parodiando uma das frases mais famosas de Peter Lynch, o mercado em julho testou o estômago mais uma vez dos investidores em ativos de risco como bolsa de valores e criptomoedas. O desempenho da bolsa brasileira em julho foi positivo +4,69%  mas só foi conquistado apenas na segunda quinzena, revertendo a tendência negativa vinda de um desastroso mês de junho – o pior resultado mensal desde o início da pandemia, em março de 2020.
Flávio Lemos
Trader Brasil
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