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Países como o Brasil estudam formas de facilitar as transações financeiras com sistemas e serviços digitais. Não é à toa que tem surgido cada vez mais novos modelos de moedas e de transações financeiras, como as criptomoedas, pagamentos móveis e os bancos digitais.  Nessa onda, surgiu a moeda virtual real digital. Você já ouviu falar?

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Boa parte da população já utiliza serviços bancários digitais, dispensando o manuseio do dinheiro físico, cédulas e moedas. A proposta do real digital, por sua vez, é consolidar essa prática a partir de um dinheiro exclusivamente virtual

Quer saber mais sobre isso? Neste artigo, vamos explicar, o que é o real digital, suas vantagens, em que ele se diferencia das criptomoedas e o que podemos esperar desse recurso financeiro.

O que é real digital?

O real digital será a moeda virtual do Brasil, emitida pelo Banco Central (BC). Esse tipo de moeda já vem sendo estudada e aplicada em outros países. Ela é conhecida como Central Bank Digital Currency (CDBC) ou Moeda Digital emitida pelo Banco Central.  

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O real digital vai funcionar como uma versão digital da moeda nacional emitida pelo BC. Portanto, terá as mesmas características de uma moeda tradicional, que são: meio de pagamento, unidade de medida e reserva de valor.

Desde agosto de 2020, o Banco Central brasileiro vem estudando as moedas digitais criadas por outros bancos centrais avaliando os benefícios e desafios de implantar esse tipo de moeda aqui no país.

Assim, a ideia do BC é fazer com que a população interaja com o dinheiro de forma mais prática e totalmente digital. Ou seja, sem que as pessoas precisem ter acesso ao dinheiro físico.

Conforme uma pesquisa realizada do Banco de Compensações Internacionais (BIS), 86% dos bancos centrais no mundo já estudam o potencial das moedas digitais. 60% têm testes práticos sobre o assunto e 14% já estão trabalhando com projetos-pilotos da CBDC. 

A China está à frente nessa corrida tecnológica. No Brasil, o lançamento do real digital está previsto para 2023.

Real digital é uma criptomoeda?

Por mais que os modelos sejam parecidos, o real digital não é um tipo de criptomoeda. A principal diferença é que as criptomoedas, como BitCoin, são mineradas. Ou seja, emitidas por qualquer pessoa e descentralizadas.

Além disso, a criptomoeda não é em si uma moeda, ela é um ativo financeiro. Já a CBDC tem valor de moeda mesmo, pois é emitida pela autoridade monetária. Assim, faz parte da política monetária. O real digital é, portanto, um produto exclusivo do Banco Central. Quer dizer que o BC é quem vai emitir esse dinheiro. 

A moeda virtual poderá ser usada em transações comuns, como pagamento de compras pela internet, transferência e outras possibilidades. 

As moedas virtuais dos bancos centrais são mais estáveis que as criptomoedas. Isto porque sua produção é centralizada com o BC.  

O ponto em comum entre os dois modelos de moeda é que CBDCs e criptomoedas são criados com base em tecnologia blockchain, um sistema digital que possibilita o registro e verificação das diversas transações que são executadas pelos muitos usuários.

Como mencionamos, as moedas digitais emitidas e administradas por bancos centrais são dinheiro tradicional, mas em formato digital.

Leia mais: Aprenda a investir em criptomoedas

Por que o BC criou uma moeda digital brasileira?

Além de ser um modelo de moeda que atende diretamente a uma cultura de economia digital que já se estabelece mundo afora, o real digital busca recuperar o monopólio de emissão de dinheiro que se tornou descentralizado com o surgimento das criptomoedas.

Dessa forma, o real digital surge como concorrência para as criptomoedas, usando sistema semelhante e garantindo mais segurança para que pessoas e empresas adotem esse tipo de moeda.

Segundo o site do BC, a criação da nova moeda busca também estimular novos modelos de negócio que possam aumentar a eficiência do sistema de pagamentos de varejo com o real digital. 

Assim, a extensão digital da moeda nacional poderá ser integrada aos ecossistemas digitais, acompanhando, inclusive, a evolução digital do sistema econômico no Brasil.

O objetivo, segundo o BC, é que o real digital seja utilizado naturalmente pelas pessoas nas diversas transações bancárias do dia a dia e que utilizam cartões de crédito, possuem conta bancária, contas de pagamentos e também trabalham com dinheiro em espécie.

Como será a moeda digital do Brasil

Como são moedas emitidas por bancos centrais, cada moeda tem aspectos próprios que atendem às demandas e objetivos específicos de cada BC. Assim, cada país estabelece diretrizes sobre como a sua moeda digital deve ser.

Em maio de 2021, o Banco Central do Brasil lançou as instruções de como ser a moeda virtual brasileira. Assim, a instituição apresentou diretrizes para formato digital do real que se dividem em três categorias: funcionamento, garantias legais e premissas tecnológicas. 

Para Fábio Araújo, diretor do Banco Central, as diretrizes refletem o que é adequado às necessidades do Brasil no segmento da economia digital e do funcionamento de uma extensão do real.

Funcionamento

As diretrizes de funcionamento do real digital prescrevem que o sistema deve ser focado em tecnologia para estimular modelos de negócios inovadores que dêem mais eficiência à economia brasileira. 

Dentro desse estímulo à economia brasileira, pretende-se que o setor varejista seja o principal vetor de circulação da moeda virtual, sendo aplicada no cotidiano das pessoas. 

Quanto ao modelo de distribuição do real digital, será mantido o modelo intermediado entre instituições financeiras e usuário final. Além disso, o real digital não será remunerado. 

Como explica o BC: do mesmo modo que uma cédula de 20 reais não tem seu valor alterado se ela fica guardada na carteira, 20 reais em moeda digital também não será alterada, caso não seja movimentado na carteira digital.

Garantias legais 

O Banco Central também estabeleceu como diretriz para implantação do real digital a certificação legal de todo o processo para que a instituição possa operacionalizar a emissão da moeda, respeitando a segurança jurídica que elas precisam ter. 

Em função disso, o BC ainda está dialogando com a sociedade sobre como o real digital deve funcionar.

Outra preocupação no campo jurídico é referente à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), uma vez que o sistema de moeda virtual equivale aos sistemas de pagamentos digitais, onde dados dos usuários são criados e armazenados. 

Assim, compreender todas as premissas da LGPD para que o real digital opere dentro da legalidade, garantindo privacidade e sigilo bancário dos usuários.

Premissas tecnológicas

As premissas tecnológicas do BC buscam implantar um sistema que facilite as transações financeiras internacionais, inclusive entre os BCs.

Assim, objetiva-se manter o sistema local aberto à adoção de padrões internacionais. Além disso , busca-se também garantir a segurança digital, protegendo o sistema de ataques cibernéticos.

O Banco Central também almeja que o real digital possa reduzir a impressão e uso de dinheiro em espécie, e que facilite a entrada do real no exterior. Além disso, espera-se que a nova moeda desenvolva novos serviços financeiros, como contratos inteligentes, dinheiro programável e compras pela Internet da Coisas,  IoT.

O avanço de compras pela IoT é outro ponto que o BC espera alcançar com o real digital, consolidando um status de economia digital avançada. Para se ter ideia, com o sistema de moeda digital, uma geladeira inteligente poderia fazer compras sem a intervenção de um humano no processo. 

Real digital: principais dúvidas e respostas

O real digital será realidade em poucos anos. A pesquisa do Banco de Compensações Internacionais (BIS) demonstra que o modelo de dinheiro é mais promissor em países emergentes, como China, Brasil e Índia. A China, inclusive, já lançou o yan digital.

Em função disso, listamos dúvidas frequentes que ainda ficam sobre o funcionamento de uma moeda virtual.

O dinheiro em papel vai acabar?

Não. Por uma questão de acesso às tecnologias, o BC não consegue tirar o dinheiro físico de circulação. A ideia é que o real digital seja complemento ao dinheiro em espécie.

Como a pessoa adquire a moeda virtual?

Para obter o real digital, o usuário vai “comprar” com o real tradicional. Essa transação será realizada por instituições financeiras (bancos, cooperativas ou fintechs) ou um modelo de negócio que surja nesse cenário e seja aprovado pelo BC.

Podemos usar o real digital em qualquer transação bancária?

Sim. A ideia é que ela possa ser usada, onde normalmente usamos o real tradicional. 

Preciso ter conta bancária para usar o real digital?

Não necessariamente. Como mencionado, o BC vai trabalhar com a distribuição intermediada por instituições financeiras diversas, bancos tradicionais ou digitais, fintechs etc. Hoje temos alguns modelos de negócio que são mais flexíveis e menos burocráticos para organização financeira pessoal. 

Então, para utilizar o real digital, provavelmente, deveremos ter vínculo com algum desses serviços financeiros. Porém, há ainda a possibilidade de o BC criar uma carteira digital própria, o que vai dispensar o vínculo com uma instituição financeira.

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